Pela segunda vez desde o mês passado, a direção da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes se viu obrigada a suspender, de maneira temporária, o atendimento em sua maternidade. O motivo, assim como no episódio anterior, é a superlotação enfrentada no setor. O hospital contava ontem com 73 gestantes internadas, sendo que oferece 38 vagas, quase metade da quantidade das pacientes que se encontram na unidade. A medida emergencial foi tomada após reunião da diretoria da unidade com o secretário municipal de Saúde, Marcello Cusatis, para garantir que o atendimento às mães e aos bebês que já estão lá não sofra danos irreparáveis.
A notícia surge na mesma semana em que o hospital recebeu a confirmação da liberação de uma verba estadual de R$ 100 mil, a partir de uma emenda parlamentar. Não que esse recurso fosse resolver o assunto, mas era o indício de que tudo estava caminhando bem mais uma vez. Ainda está em andamento a elaboração de projetos para ampliação da ala, que deve ser concluída até agosto, e também se aguarda ansiosamente um posicionamento e uma ação concreta do governo do Estado em relação a esse assunto. Este último item talvez seja o mais urgente e possível de se garantir mais rapidamente.
É notório que a situação pela qual passa a maternidade da Santa Casa de Mogi está ligada diretamente à situação da capacidade de atendimento às gestantes nas outras cidades do Alto Tietê. Não à toa o secretário Cusatis fez uma dura cobrança ao governo estadual para que concretize uma solução regional para essa questão. Se os outros municípios não dão conta da demanda nem conseguem oferecer o que as grávidas precisam, inevitavelmente, o hospital de referência para nascimento de crianças acaba sendo a unidade mogiana.
Se nada for feito logo, nada vai mudar e correremos um sério risco de nos depararmos com novas suspensões do atendimento na maternidade. Garantir dignidade às gestantes e aos seus bebês é algo básico, fundamental, que tão bem a Santa Casa de Mogi proporciona. Mas relegar a ela toda a responsabilidade é inadmissível e injusto por parte dos demais municípios de onde vêm muitas das pacientes. O que ocorre lá é praticamente o mesmo com as demais unidades de saúde mogianas. A pena para a cidade é ter um serviço de qualidade e capacidade de atendimento.
Já passou da hora de chamar todos os envolvidos à responsabilidade. Não bastam reuniões e manifestações oficiais ou notas à Imprensa. O que mais é necessário acontecer?