O ingresso do deficiente físico no mercado de trabalho ainda é uma barreira a ser vencida. E a mudança de mentalidade deve começar dentro da casa dele. Como afirmou a psicóloga Simone Costa, membro do Trabalho de Apoio ao Deficiente (Tradef), em reportagem divulgada no dia 2 de junho, a autoestima dessas pessoas deve ser trabalhada pela família, afinal, antes de mais nada, a própria pessoa que tem alguma limitação deve entender que se por um lado sua deficiência poderá trazer restrições, por outro não o impedirá de desenvolver habilidades para atuar com competência em várias funções. Muitas vezes o deficiente tem perfil para trabalhar em determinada área, mas a família, por zelo, não permite que agarre a oportunidade - talvez já imaginando as dificuldades que irá encontrar pelo caminho. E, estes obstáculos, não necessariamente estão ligados à limitação de desenvolver a tarefa, mas, sim, à falta de acessibilidade nas ruas, prédios e transporte público e, principalmente, ao preconceito.
A começar pelas empresas contratantes, que dificilmente oferecem oportunidades além do determinado pela Lei da Cota. E esse triste cenário só irá mudar quando a sociedade entender que esse público é capaz de desenvolver certas tarefas, igual ou melhor do que qualquer outra pessoa. Caso contrário, cria-se mais uma barreira: a de ter que mostrar mais do que os outros para convencer o empregador.
Um exemplo disso é o entrevistado na matéria do dia 2 deste mês, o auxiliar de limpeza do Terminal Central de Mogi das Cruzes Paulo Luiz Silva, de 49 anos, que perdeu um dos braços quando era adolescente. Reconhecido como um símbolo de força de vontade, ele contou à repórter Stefany Leandro que conseguir um emprego não foi tarefa fácil. Antes de chegar a Mogi, teve que insistir muito para fazer um teste de limpar banheiro, em Jundiaí. Seu trabalho foi tão impecável que a oportunidade o foi dada. Mas calejado de tantos "não" recebidos ao longo da vida, além de limpar o banheiro, higienizou toda área em volta do espaço. Ou seja, foi preciso ir além para convencer de que era capaz de ficar com a vaga. Em 2015, quando mudou-se para Mogi, conseguiu sua atual ocupação por meio do programa "Emprega Mogi". Ele contou à reportagem que, apesar da experiência adquirida, a maior dificuldade ainda persiste: o preconceito. "A única limitação que tenho é a de não ter a aceitação do público", disse.
A frase é marcante e nos faz pensar que cada pessoa esforçada merece seu espaço. Afinal, um País de valor tem que reconhecer seus colaboradores.