A iniciativa do Poder Público, empresas e instituições de promoverem campanhas para doação de peças de roupa e cobertores para pessoas em alta vulnerabilidade social, especialmente aquelas em situação de rua, é algo imprescindível e preponderante em tempo de frio como o que estamos vivendo neste momento. É um tipo de ação paliativa, necessária para que o flagelo de muita gente possa ser amenizado, ou mesmo até de sobrevivência. Também se mostra importante a participação de entidades que oferecem abrigo e alimentação a quem precisa.
Mas atitudes como essas são temporárias e sazonais. E a situação se torna ainda mais preocupante quando se contabiliza e transforma em números uma realidade que sabemos existir. Reportagem do último domingo mostrou um levantamento realizado junto às Prefeituras do Alto Tietê e evidenciou algo alarmante: atualmente, 1,8 mil pessoas estão em situação de rua, ou vivendo em espaços públicos e em albergues ou em trânsito de um local para outro. Não se pode permanecer impassível diante de tal constatação. São quase duas milhares de crianças, adultos e idosos sem qualquer tipo de moradia, vivendo em praças, calçadas e sob viadutos e marquises, à mercê da própria sorte e da vontade das autoridades.
São pessoas que têm uma história, uma origem e uma razão para estarem na situação em que se encontram. Em Itaquaquecetuba, por exemplo, a grande maioria, de acordo com a administração municipal, vive nas ruas por causa do vício em drogas e álcool. Mas não é só esse o motivo: conflitos familiares, desemprego, abandono, problemas psicológicos, entre outros. Ou seja, são pessoas que precisam de ajuda imediata. Em tempos de debates políticos e ideológicos acalorados, onde o que vale mais é a conquista do poder e do dinheiro, questões básicas acabam sendo facilmente esquecidas.
Claro que muitos agentes do Poder Público fazem sua parte e desenvolvem ações para o enfrentamento deste cenário calamitoso. Mas será que estão sendo suficientes e eficazes? É nesse momento que precisa ser revisto o que é realizado e também orientar grupos e entidades. Orientação no sentido de esclarecer que uma ação que pareça um auxílio na verdade pode estar causando o efeito contrário e mantendo essas pessoas na rua, como a distribuição de comida, por exemplo.
É algo elogiável e inspirador, mas é necessário que a ajuda seja consciente e eficiente. O objetivo final deve ser oferecer o resgate da dignidade humana e dos direitos como cidadão. Sem dúvida, é um desafio e tanto que urge ser superado.