Dentre as mais diversas "arestas" que precisam ser aparadas no País, uma especificamente necessita de atenção urgente: a da Educação. É nas escolas que as crianças desenvolvem seu poder cognitivo tão importante para o crescimento de uma nação. Como vamos exigir voto consciente, envolvimento e fiscalização política das futuras gerações se os alunos não tiverem condições, estrutura e professores bem habilitados à disposição?
São diversos os problemas enfrentados pelas escolas do País. Em Mogi das Cruzes, a Comissão Permanente de Educação do Legislativo debate a dificuldade na contratação de professores para a rede municipal. A Câmara deve apresentar, dentro dos próximos três meses, um projeto para agilizar esse reposicionamento de educadores em caso de urgência. A ideia foi apresentada depois que a Casa de Leis recebeu a informação de que uma sala de aula da escola Mario Portes, em Jundiapeba, estava sem professor. O que dificulta ainda mais a resolução deste problema é que a Justiça proíbe a contratação de professores temporários e a convocação de gestores por meio de concurso é muito burocrática. Outras Prefeituras do Alto Tietê procuraram vereadores de Mogi para buscar uma maneira de facilitar a recolocação desses profissionais. Ontem, inclusive, o vereador Mauro Araújo (PMDB) recebeu a secretária de Educação Juliana Guedes para discutir a falta de professores nas escolas do município.
Em Suzano, o reflexo da última greve dos servidores públicos atingiu diretamente na merenda escolar. Algumas unidades, inclusive, deixaram de oferecer alimentação aos alunos por falta de funcionários na execução do preparo. Em Arujá, professores estão insatisfeitos com o plano de implantar um sistema de ensino apostilado na rede municipal no segundo semestre deste ano. Para eles, as escolas têm outras prioridades básicas que vão além da alteração no método de ensino. Já para o secretário de Educação da cidade, Márcio Oliveira (PRB), esse processo enriqueceria os valores na rede e traria resultados mais otimistas. O prefeito José Luiz Monteiro (PMDB), porém, alertou que uma decisão tão drástica não pode ser tomada sem a participação da população.
É notório que o Brasil tem um longo caminho para se tornar um País mais justo. E o pontapé inicial para que ocorra uma transformação é que as crianças tenham todas as condições de desenvolver seu senso crítico, dentro das escolas. Sem isso, o máximo que o País vai conseguir é atingir objetivos de curto prazo. E, definitivamente, não é esse tipo de ação que transformará a nação.