Os dados mais recentes sobre geração de emprego no Alto Tietê não são nada animadores. Mais do que isso, chamam a atenção e criam em muita gente a insegurança sobre os rumos que o País está tomando e as perspectivas neste momento. Ainda que especialistas afirmem que houve sensível melhora na economia com o início do governo provisório do presidente interino Michel Temer (PMDB), na prática, no dia a dia não é tão fácil fazer essa constatação.
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, a região perdeu 3.615 vagas de emprego de janeiro a junho deste ano: trata-se do saldo entre 52.685 admissões e 56.300 demissões no período. A quantidade é grande por si só, mas fica ainda mais preocupante quando é feita a comparação com o primeiro semestre de 2015. Na ocasião houve 347 postos de trabalho fechados, ou seja, dez vezes menos do que se registrou neste ano.
Se alguém falava em recuperação econômica, os números mostram outro cenário. Claro que só nos próximos meses será possível dizer se algumas das medidas tomadas nos últimos meses pelo governo federal surtem efeito. Principalmente porque a crise política ainda está no ar e o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) não foi concluído no Senado. Embora também seja um engano pensar que tudo se resolverá de maneira automática com a perda de mandato da petista, caso isso venha a ocorrer.
Enquanto isso, as pessoas vão sofrendo com a incerteza e se virando como podem. Quem perdeu o emprego tenta partir para o empreendedorismo, vende produtos de porta em porta, aplica o pouco dinheiro que tem em algum negócio diferente da área onde atuava, faz "bicos", etc. Seja de maneira provisória ou permanente, a situação obriga quem está em uma situação complicada como essa a se mexer de alguma forma. E leva aqueles que estão empregados a refletirem sobre seus ofícios e a temerem o que pode acontecer.
Se a economia vai mal, as empresas não produzem como poderiam, a receita cai e as despesas aumentam. Assim, não investem, não contratam e, pior, são obrigadas a demitir para reduzir custos. Mas se as expectativas começam a mudar e o otimismo e a perseverança prevalecem, tudo ao redor também muda, ainda que hoje as perspectivas sejam nebulosas e a realidade nas ruas, nos supermercados, nas lojas, também não sejam animadoras. Resta esperar, torcer e, para quem está desempregado, estar a atento para conseguir voltar ao mercado de trabalho.