Todo exemplo tem uma serventia. O bom exemplo serve para ser seguido e o mau exemplo serve para ser evitado. Meu pai repetia sempre uma frase que me acompanha até hoje: se os conselhos conduzem os exemplos arrastam. O bom conselho, dado por quem tem prática de vida que não guarda coerência com ele, não tem muito valor.
Como estamos em ano eleitoral é importante não perdermos isso de vista. Todo candidato costuma ter bom discurso, mas é absolutamente importante observar se a vida cotidiana de cada candidato é coerente com o que ele apresenta em seu discurso. Que tipo de exemplo permeia a vida dessas pessoas. O eleitor deve usar tal observação como um dos critérios para decidir seu voto.
Já os candidatos também devem usar bons exemplos para conduzirem suas campanhas e, caso eleitos, seus mandatos. As propostas apresentadas durante cada campanha devem ser importantes, factíveis e compreensíveis. Não podem ser superficiais ou mero chamariz de votos.
Não se constrói um bom plano de governo ou de atuação parlamentar sem uma clara compreensão da natureza de cada demanda, principalmente no que diz respeito às políticas públicas nas chamadas áreas sociais.
Em 2012, a não observância de tal critério foi um dos fatores importantes para que o candidato Celso Russomanno perdesse a eleição para prefeito de São Paulo. Ao propor a cobrança escalonada para o transporte público (preço de acordo com a distância percorrida), sua candidatura passou a ser bombardeada nas periferias, pois tal proposta penalizava justamente os mais pobres, pois eles moram mais distantes de seus respectivos trabalhos. Qualquer assessor que tivesse um pouco de sensibilidade e conhecimento em relação aos temas sociais teria alertado para o potencial devastador de tal proposta.
Li certa vez, não lembro onde, que o político baiano poderoso e conservador, Antônio Carlos Magalhães (ACM), que foi prefeito biônico de Salvador e governador daquele estado por três vezes (também biônico em duas delas), ao montar seu secretariado costumava entregar as pastas sociais a nomes ligados à esquerda. Dizia ele que quem entendia dessas políticas eram os comunistas.
Não sei se isso é lenda, mas faz sentido.