A Tocha Olímpica, símbolo dos jogos internacionais, partiu da Grécia, cruzou os mares, cortando nosso país pelos mais diversos rincões, e finalmente, passou por nossa cidade, trazendo empolgação a nossa gente que se viu parte do cenário internacional. Foi um belo evento, bem planejado e assim sem efeitos colaterais. O brasileiro adora festas e a alegria de viver.
O governo federal aliado ao do município do Rio de Janeiro, quando optaram em sediar a Olimpíada em nosso país também demonstraram o gosto por festas. Todavia festas só dão certo quando as contas estão em dia.
O noticiário nacional tem apresentado realidades pouco animadoras sobre o evento olímpico em solo brasileiro, mormente em termos de custos mal dimensionados, seriedade, compromisso e planejamento eficaz. Planejamento, aliás, é fundamental quando se trata da administração pública e sua condução governamental.
No caso da Olimpíada, seria a festa ideal se não estivéssemos no momento errado para realizá-la. Se por um lado é um evento que traz destaque ao país que o realiza para, em tese, aquecer sua economia no turismo, esporte, parcerias empresariais, lucros da transmissão televisiva, de ingressos e produtos, melhorias de infraestrutura, transporte e outros, pode também afundar a economia de quem a realiza quando os cofres não estão aptos a arcar com seus custos.
Exemplos positivos temos com o mesmo evento nos Estados Unidos, Espanha e Inglaterra, que viveram o aquecimento da economia com o evento; já negativos temos a Grécia que entrou em rota decadente após os Jogos de Atenas indo ao suplício que vive hoje. E vejam que a Olimpíada na Grécia ocorreu há mais de uma década, porém as lições gregas parecem não ter servido aos governantes de nosso país.
Já vivemos em parte o déficit gerado inclusive pela Copa do Mundo face aos altos investimentos nos estádios de futebol, e agora os altos custos para a infraestrutura da Vila Olímpica no Rio de Janeiro e o espetáculo da Olimpíada, com obras inacabadas ou mal acabadas, motivo de duras críticas na imprensa internacional.
Uma pena, pois nosso país teria muito a oferecer se a primazia fosse seriedade, especialmente a governamental, que levou-nos a este caminho pouco iluminado, apesar da linda "tocha iluminada"...