A passagem da Tocha Olímpica marcou o dia de ontem no Alto Tietê, principalmente Suzano e Mogi das Cruzes, que foram as rotas do símbolo olímpico. O objeto passeou pelas ruas das duas cidades, acompanhado de autoridades, condutores, Imprensa e população. Mas enquanto a Tocha é levada aos quatro cantos do País e faz a festa por onde passa, os organizadores do evento na "Cidade Maravilhosa" estão tendo que se virar para garantir a segurança e o conforto às delegações do mundo todo que chegam à Vila Olímpica (local onde os atletas ficam hospedados durante a Olimpíada, na Barra da Tijuca). E esses inconvenientes estão "ajudando" a ampliar a imagem negativa que o mundo tem em relação ao Brasil.
Ao começar pela delegação australiana que, após viajar mais de 30 horas, chegou exausta à Vila Olímpica, querendo descansar. O que não foi possível, já que as instalações do local apresentaram diversos problemas logo de cara. Falta de energia elétrica, além de vazamento de água e gás, foram as reclamações dos australianos assim que chegaram ao local. Resultado: a delegação se recusou a ficar lá e foi para um hotel próximo.
E é claro que o ocorrido virou notícia no mundo. A lista de problemas é "dramática", segundo noticiou o Frankfurter Allgemeine Zeitung, na matéria intitulada "Vila Olímpica inabitável", citando problemas como vasos sanitários quebrados, vazamentos, fiação à vista, escadarias sem iluminação e pisos sujos.
O Brasil foi oficializado como sede da Olimpíada há oito anos e é uma vergonha apresentar problemas de infraestrutura tão grotescos a menos de um mês para o início dos Jogos. As instalações não são seguras porque sequer foram finalizadas. Outras delegações, como a britânica e a neozelandesa, também reclamaram. Nas portas dos quartos, atletas deixam bilhetes como "Favor consertar meu chuveiro" ou "Estou sem energia elétrica", e por aí vai.
A precariedade das estruturas começou a aparecer na tragédia que matou um ciclista na ciclovia construída à beira mar para os Jogos Olímpicos, quando a pista cedeu com a força de uma onda.
O projeto da Vila Olímpica, que custou mais de R$ 260 milhões, é controverso e merece investigação, afinal, foi feito pela construtora Odebrecht, alvo da Operação Lava Jato, que investiga um dos maiores escândalos de corrupção do mundo. É claro que se pesquisarmos o histórico de outras Olimpíadas, também poderemos verificar alguns problemas estruturais, mas o Brasil corre o risco de bater o recorde olímpico nesse quesito.