Rodrigo Maia (DEM-RJ), o novo presidente da Câmara dos Deputados, foi aliadíssimo de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) até pouco tempo. Entre os projetos que recebeu para relatar, o mais importante foi o da mal chamada Reforma Política. Cunha, então todo poderoso, o nomeou interventor na Comissão, destituindo seu correligionário Marcelo Castro (PI).
Cunha e Maia dedicaram especial atenção a impor limitações ao PSOL, que incomoda PMDB e DEM sobretudo no Rio de Janeiro, terra de ambos. Foi deles a "Lei da Mordaça", que restringe a participação em debates eleitorais na TV a candidatos de partidos ou coligações que tiverem ao menos dez deputados federais. O Senado tinha estabelecido em cinco parlamentares essa "linha de corte", mas a Câmara, acolhendo a posição do relator, recolocou esse patamar excludente. Sob encomenda.
Mesmo se dizendo afastado do moribundo político Eduardo Cunha, Rodrigo evita pautar a cassação do antigo parceiro tão logo voltemos do recesso. Não é mais possível protelar, não é cabível reabrir o semestre de trabalho, sob "nova direção", sem resolver esta questão. Prioridade absoluta.
Rodrigo também causa preocupação ao decidir não prorrogar a CPI do Carf, como pediam seus membros. Isso atende ao interesse de empresários que não querem depor lá e condena a CPI ao destino de imprestável.
É positivo o novo presidente da Câmara informar que não pretende pautar projetos que produziriam fortes atritos em plenário, como o Estatuto da Família, que desconhece as novas formas de convivência conjugal do mundo contemporâneo, e a PEC 215, que destruiria culturas indígenas e abriria à especulação seus territórios. Mas o Quartel General do conservadorismo parlamentar, do qual Rodrigo é egresso, não foi desativado: prepara sua ofensiva, para fazer avançar a pauta de supressão de direitos.
Quer "mostrar serviço" a um Executivo que é uma Federação de Acusados e Regressistas, que opera pela plena dominação oligárquica.