Mais uma reunião entre prefeitos e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), mais promessas feitas. As previsões até poderiam causar aquela sensação de que "agora vai". No entanto, a população do Alto Tietê já está calejada e a experiência obtida depois de tantos anúncios ao longo dos anos cria um freio em qualquer surgimento de esperança. Aliás, é recorrente por parte do governo estadual divulgar prazos e ações como se fossem novidades quando, na realidade, são assuntos que já estão atrasados.
É claro que, em se tratando de Poder Público, para a maioria das realizações é preciso criar toda a cena política. As "novidades" informadas anteontem pelo governador durante encontro com os prefeitos do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) eram assuntos conhecidos para os quais só se esperavam informações palpáveis, mais do que apenas a garantia de que irão sair do papel algum dia.
Duplicação da rodovia Mogi-Dutra (SP-88), no trecho de Arujá; construção do complexo viário com alças de acesso e saída do Trecho Leste do Rodoanel (SP-21) em Suzano; e desassoreamento do rio Tietê entre Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba, até o córrego Três Pontes, que marca a divisa com São Paulo, foram os principais assuntos tratados na reunião no Palácio dos Bandeirantes.
Sobre os dois primeiros a novidade era que o Estado havia conseguido os recursos necessários, R$ 160 milhões e R$ 174 milhões, respectivamente. Ora, mas se o governo estadual se propôs a realizar essas obras era óbvia a necessidade de se empenhar recursos. Até mesmo porque prometer e voltar atrás não poderia ser uma opção. Tanto tempo para informar que agora há dinheiro.
A abertura da licitação para a duplicação da Mogi-Dutra já foi adiada, suspensa e o último prazo era julho, mas anteontem já mudou para agosto. Já a construção das alças do Rodoanel, pelas primeiras expectativas, já era para estar começando, mas agora a previsão é de ser iniciada em até 90 dias. A mesma situação se observa no caso do desassoreamento do Tietê: esperada há tempos e as únicas informações são sobre previsões de liberação de licença para o serviço.
O que o cidadão/contribuinte quer ver é tudo isso acontecendo. Os três exemplos que nortearam o encontro em São Paulo, quando estiverem concretizados, sem dúvida, mudarão a vida de muita gente. Mas hoje só se vive de expectativas e promessas. A população quer resultados e ver que o dinheiro dos seus impostos são usados com eficiência de verdade.