Mais importante do que a participação de Suzano e Mogi das Cruzes no revezamento da Tocha Olímpica é saber qual será o legado que o dia histórico de hoje vai deixar, não apenas para as duas cidades como também para as demais do Alto Tietê. Claro que o evento em si não mudará a vida da população, a não ser mobilizar as pessoas pela curiosidade e pela possibilidade de dizer no futuro que viu de perto - ou mesmo que carregou - o maior símbolo das Olimpíadas, mas, sem dúvida, agregará um valor interessante o fato de os dois municípios terem integrado a rota da passagem da Chama.
A presença da Tocha Olímpica pode servir de reflexão para todos, principalmente para as autoridades e para aqueles que pretendem neste ano entrar para o Poder Público como vereadores ou prefeitos. O que as cidades fizeram e fazem pelo Esporte? Não somente pelos atletas de alto rendimento, que representam os municípios em competições das mais diversas, mas pela base, pelas crianças que nem mesmo têm acesso a todas as modalidades possíveis?
Desde quando o Rio de Janeiro foi anunciado como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, oito anos atrás, pouco se viu o governo federal investir e estimular de verdade a formação de potenciais competidores. Não era de se admirar que isso acontecesse. Até mesmo porque o Brasil não tem a tradição de fomentar o surgimento de atletas de várias modalidades, haja vista a quantidade daqueles que buscam treinar no exterior por falta de apoio e, principalmente, de recursos por aqui.
Em se tratando do "País do Futebol", parece que pouco importa além do fato de apenas sediar o maior evento esportivo do planeta e atrair todos os olhos do mundo por mais de duas semanas. Neste momento talvez nem valha a pena retomar a discussão se o Brasil deveria ter ou não se candidatado para receber os Jogos em detrimento de tantos graves problemas sociais e econômicos que demandam necessidade de solução há muito tempo.
Enquanto há pessoas na miséria, a Saúde em frangalhos, a Educação falida, a Segurança Pública ineficiente, entre outras tantas deficiências, o País vive um momento histórico. As prioridades foram invertidas, mas este era um assunto para ser tratado lá atrás. Agora, há que se pensar lá na frente, sobre o legado. Como a Olimpíada transformará o Brasil? O que a passagem da Tocha vai deixar de marca nas cidades do Alto Tietê e no desenvolvimento do Esporte como solução para tantos problemas sociais? Tomara que o tempo possa dar uma resposta positiva e carregada de esperança.