Os benefícios do Bolsa Família terão aumento médio de 12,5%, após dois anos de congelamento. É um número expressivo, mas inferior à inflação medida de maio de 2014 até aqui.
Considerando o impacto maior da inflação sobre o preço dos alimentos, principal gasto dos que recebem o benefício, ainda será necessário um novo reajuste acima da inflação no ano que vem. Vamos conseguir? É cedo para avaliar. Mas certamente, se acontecer, será um indicativo de que estaremos no caminho certo: ajustar sem sacrificar os mais pobres.
O Congresso tem votado projetos importantes. O Novo Simples Nacional, vinculando simplificações e desonerações à criação de empregos neste decisivo nicho da economia, deverá estimular a atividade econômica. Entretanto, estamos chegando ao momento mais desafiador para o novo governo e as forças políticas que lhe dão sustentação: a votação da PEC que estabelece teto para os gastos do governo e a Reforma da Previdência.
O governo Temer tem sido incansável no diálogo e no atendimento aos partidos e parlamentares quanto à participação em algumas áreas da gestão pública. Noutras, já deixou claro que a blindagem é absolutamente necessária para que se alcancem os resultados almejados. Ao mesmo tempo, o governo vai criando uma rede de sustentação para as urgentes e inadiáveis votações. O que se espera é que o Parlamento não perca o foco insistindo em procedimentos que, muitas vezes, produzem resultados negativos, quando não nefastos, travando o que lhe cabe fazer para sairmos da crise.
Os brasileiros querem confiar, acompanham cotidianamente o que se passa em Brasília, desejam que as notícias comecem a indicar um caminho virtuoso, propiciador de oportunidades e esperanças depois de anos de recessão, má gestão e corrupção endêmica. Não suportam mais as disputas políticas eivadas de oportunismos e interesses pessoais. Querem, enfim, gestos de grandeza de um Parlamento cheio de mazelas, mas capaz de crescer e sintonizar com a sociedade em momentos cruciais. Este é um desses momentos.