A escola é uma das mais importantes ferramentas para a formação do ser humano e é nela que as crianças aprendem a maioria das coisas que as influenciarão para o resto de suas vidas. No entanto, alguns aprendizados, que normalmente ocorrem no dia a dia, na rua ou com os amigos e parentes, poderiam muito bem estar incluídos na grade curricular do Brasil. Cidadania, ética, moral, respeito, bons modos, entre tantos outros temas, poderiam formar uma matéria específica.
Os críticos de plantão alegarão que esses ensinamentos devem ser dados pelos pais e responsáveis, o que é verdade. No entanto, é preciso lembrar que nem todos contam com uma família bem estruturada, onde pai e mãe cumprem o papel de educador e repassam valores éticos e morais aos filhos. Infelizmente, muitas vezes, nem mesmo os pais tiveram este ensinamento.
Uma criança que aprende desde cedo a importância do de ser ético, de ter respeito pelo próximo e de praticar boas ações, certamente se tornará um adulto menos propício ao crime e a cometer irregularidades. Nesta semana, o papa Francisco disse que o mundo vive uma guerra. Esta "guerra", que nem sempre ocorre com o uso de armas, pode estar relacionada à ética e ao bom senso, que estão desaparecendo e dando lugar à intolerância e ao radicalismo, que consequentemente terminam em morte e destruição.
Para evitar problemas futuros é preciso criar base, raiz, ensinar corretamente o que é certo e errado e, com isso, fazer as crianças crescerem cheias de bons valores. O papel é dos pais, mas professores podem sim colaborar neste processo. Um bom exemplo de mudança a longo prazo é a lei que exigiu aulas de música nas escolas. Aos poucos, os primeiros resultados começam a aparecer.
Em Poá, por exemplo, na escola José Antônio Bortolozzo, as crianças aprendem músicas e formam grupos, bandas e orquestras. Tudo isso ocorreu com mais frequência após um projeto de lei que obrigou a aplicação da aula de música ser aprovado. O simples fato de os alunos terem algum contato com professores de música e com composições de Beethoven e Mozart e o aprendizado de um instrumento podem modificar a vida deles para sempre. Este aprendizado ficará enraizado. Talvez, a criança não se torne um músico, mas poderá ser um melhor ouvinte, uma pessoa com um gosto mais apurado.
Caso uma matéria de cidadania fosse dada nas salas de aula, talvez também teríamos essa esperança de que adultos do futuro seriam melhores do que os atuais em relação à ética e à moral.