Em momento infame da história da humanidade, carros de guerra alemães marcharam por toda a Europa, deixando atrás de si, rastro de destruição e um rio de sangue. Dando vida ao pensamento de Francis Galton, Hitler pretendia implantar no velho continente - e dai sabe-se lá onde mais -, a eugenia, ou "higienização", eliminando as pessoas com má-formação ou deficientes.
Vencido o momento, de maneira unânime as barbáries confirmadas foram repudiadas pelos povos civilizados; restaram, tristemente, esquecidas nas candentes páginas que as condenaram.
Embora isso, em época que o mundo parece - tenho lá minhas dúvidas, no entanto é o que dizem -, mais civilizado; em que os direitos humanos, defendidos nas Cartas do países democráticos, se impõem; pesaroso, constato que renasce, entre nós, a execrável filosofia.
Tratei no artigo anterior da desapropriação pela municipalidade paulistana, dos parcos bens utilizados por pobres "moradores de rua", na luta contra o frio cortante que se instalou.
Pensei que, contumaz defensor do império da cidade sobre o indivíduo, com sua absurda ação, ao mandar que assim se procedesse, o alcaide da megalópole visasse o seu embelezamento.
Pasmo, no entanto, li sua versão, em que, em caixa alta, enfatizava que a determinação teve por meta evitar "a refavelização das praças da capital", ou seja: empurrar para outro canto menos visível, matar à mingua, como aconteceu, aqueles que, parias sociais, espelham vírus nefasto que corrói a sociedade que governa, são exemplos vivos da fome, da falta de moradias, do desinteresse da Administração Pública pelos menos favorecidos.
E quem são esses nossos irmãos perseguidos - em analogia que se teima em não aceitar, mas que se mostra perfeita - senão aqueles deficientes, malformados socialmente?
Em suma: lá como aqui, aos fragilizados não se brinda com o conforto das políticas públicas. A vergonhosa "higienização" é o caminho, mesmo com as mortes dela decorrentes. Vagabundos e crápulas!