A morte do mogiano Renato Toledo, de 31 anos, após ser atropelado enquanto pedalava em uma estrada na cidade de Canaã dos Carajás, no Pará, traz à tona, mais uma vez a complicada relação entre motoristas e ciclistas.
Seja em áreas urbanas ou em locais mais afastados, em vias de trânsito intenso ou baixo, o risco sempre existe. Pior ainda para quem está de bicicleta ou motocicleta, muito menos protegido em comparação com aqueles que trafegam com um carro, por exemplo. São centenas de quilos de metal contra praticamente nada.
O que ocorreu no último domingo pode ter sido uma fatalidade ou mesmo imprudência por parte do motorista causador do atropelamento, haja vista que teria abandonado o local do acidente sem prestar socorro. A questão é muito delicada e exige uma atenção maior por parte das autoridades.
O uso da bicicleta é incentivado em diversos países, em especial nos de 1º mundo, como Alemanha, Holanda, França e Japão, por exemplo. E isso ocorre principalmente com vistas à preservação do meio ambiente: menos veículos automotores nas ruas, menos poluição, maior qualidade de vida.
Só que para tudo isso acontecer é preciso de atuação incisiva do Poder Público, com elementos que garantam a integridade de quem opta por trocar um carro por uma bicicleta. Caso contrário, de nada adiantará. E isso passa por implantação de ciclovias e ciclofaixas, construção de bolsões de estacionamento de bicicletas, sinalização reforçada, meios de transporte público coletivo de qualidade e educação no trânsito.
O Códito de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê uma série de normas referentes ao uso da bicicleta, como a permissão de circular em na pista em vias rurais e urbanas que não tiverem acostamento ou ciclofaixa (art. 58). Mas também proíbe a presença de ciclistas em vias de trânsito rápido ou rodovias que não tiverem nem acostamento nem ciclofaixa (art. 244). Exemplo desta última determinação ocorreu no mês passado na Mogi-Bertioga (SP-98), quando um grupo de pessoas teve as bicicletas apreendidas pela Polícia Rodoviária porque não poderiam trafegar ali.
No caso ocorrido no Pará, a vítima era praticante do ciclismo e sabia onde e como pedalar. Estava precavido e seguindo as normas de segurança, mas não contava com a imprudência alheia. Enquanto não houver uma consciência maior entre todos no trânsito, sociedade e Poder Público, o que continuaremos a ver constantemente serão mais e mais mortes, infelizmente.