Quando foi inaugurada, em 1982, a rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) revolucionou a vida de milhares de pessoas. De início, os mogianos ganharam um acesso ao litoral norte, o que mudou para sempre os finais de semanas, feriados e férias das famílias. Na década de 1980, centenas de trabalhadores investiram em terrenos em Bertioga, que era apenas um distrito da cidade de Santos. Em 1992, virou município. Já na década de 1990, o trânsito aumentou consideravelmente e, com ele, os acidentes.
Desde então, a imprensa regional e também os políticos, principalmente os vereadores, cobram por melhorias na rodovia para aumentar a segurança dos motoristas. O pedido atual é a duplicação da pista, o que poderia evitar acidentes. Mas não é só isso.
O trecho de serra da Mogi-Bertioga é conhecido como o mais perigoso, onde vários caminhões tombam, carros de passeio colidem e pessoas perdem as vidas. No local já ocorreram até desmoronamentos, que fez parte da pista ser interditada por um período. O trecho onde ocorreu a tragédia com o ônibus fretado cheio de estudantes tem história de acidentes graves.
Graças a iniciativas e muita insistência, a rodovia recebeu melhorias nos últimos anos, principalmente no que diz respeito à sinalização e áreas para recuo. Muita coisa melhorou e vidas foram salvas. A ação da Polícia Rodoviária também com maior fiscalização colabora e muito com as mudanças. As estatísticas mostram que os acidentes diminuíram nos últimos anos, mas o trabalho não acabou e novas medidas devem ser tomadas para o local ser ainda mais seguro.
A região conta com outras rodovias perigosas, como a Índio Tibiriçá (SP-31), em Suzano, onde também é grande o número de acidentes. Uma tragédia como a da última quarta-feira, quando 18 pessoas morreram, exige sim novas medidas. Independentemente se o erro foi do motorista ou se as condições de tráfego eram ruins, é preciso continuar pensando e agindo para aumentar a segurança nas pistas. Se realizarmos uma pesquisa com quem pega estrada, é grande a chance de boa parte dizer que sente medo ao dirigir na Mogi-Bertioga ou na Índio Tibiriçá.
As reformas ocorridas na Mogi-Dutra (SP-88) na década de 2000 são um bom exemplo de que muito pode ser melhorado. As pistas que ligam Mogi a capital também eram muito perigosas e fazia vítimas fatais com frequência. Foi preciso fazer um investimento alto para reformar a rodovia, mas valeu a pena.