Mais uma vez recordo que, embora fenômeno mundial, a corrupção entre nós tem atingido parâmetros assustadores.
Formados em política permissiva identificada pelos olhos vendados, ouvidos moucos, e bocas tapadas, os dirigentes, das mais variadas siglas, desde o indigno golpe que proclamou a República, vêm permitindo que o "toma lá da cá", impere.
Portanto, o surgimento da Operação Lava-Jato, com suas investigações, veio, como brisa da tarde, a refrescar os ânimos dos desiludidos brasileiros.
Os seus desdobramentos, constrangendo a tantos que, posando de poderosos faziam pouco da lei, enquanto que, suseranos, reinavam sobre os feudos de que se imaginavam possuidores, provocou catarse, daquela que leva à cura de almas descrentes e flageladas.
Mas, há, por trás das benesses conquistadas, a par da vitória do Direito, outro lado que não pode ser desprezado, e que merecia, desde o início, ter sido pensado pela cúpula diretiva da nação.
Mercê das desgraças provocadas por seus gananciosos chefes, as empresas, envolvidas - todas de grande calibre -, viram-se atiradas ao rés, experimentaram prejuízos tão grandiosos que beiram a bancarrota.
Com isso, o desemprego campeia entre elas dizendo as manchetes que mais de 50.000 mil brasileiros, de uma hora para outra, sendo despedidos, perderam o sustento de suas famílias.
E aí a gritante injustiça!
Aqueles que se locupletaram do dinheiro suado de todos nós, relacionados ao extremo em âmbito internacional, com certeza, em um desconhecido local, armazenaram parte das importâncias.
Valendo-se da tal "delação premiada", ou "deduragem oficial", como se preferir, conhecerão a liberdade brevemente, e, num átimo se bandearão para cantos paradisíacos onde, ao som divino das ondas quebrando, "curar-se-ão dos dissabores pelos quais passaram"! Enquanto isso, os mais humildes e honestos trabalhadores atingidos pela catástrofe, terão por sinfonia o choro triste da criança que anseia por comida. Justiça? Aonde!