Em menos de um mês, o novo governo interino já perdeu dois ministros. Flagrados em gravações onde se mostravam contrários ou reticentes à operação Lava Jato, foram sumariamente desligados.
Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil têm novos presidentes. Pedro Parente, o novo presidente da Petrobras avisou que não haverá ingerência política no comando da estatal. Difícil acreditar, pois é uma estatal. Se o esquema de corrupção desvendado pela Lava Jato for estancado, já se terá prestado um grande serviço.
Não se elimina a política de uma empresa estatal. Trocam-se os atores, mas o cenário continua o mesmo, uma estatal gigantesca. A desejada autonomia de gestão, absolutamente livre de ingerência política só será possível com a privatização. E isso é absolutamente impensável para aqueles que dela se beneficiaram por longos anos, desviando, via petrolão, bilhões de reais, o que destruiu a empresa.
A esperança é de que o caixa da companhia não seja mais sangrado e só isso já será um grande alento. É possível que uma gestão minimamente empresarial, séria e sem a roubalheira habitual, já recupere a estatal e a recoloque no lugar de destaque que sempre ocupou no setor de petróleo.
O apocalipse da operação Lava Jato já está sendo escrito, seu autor: Marcelo Odebrecht. Cansado de ficar preso e com uma condenação superior a 19 anos, demorou a perceber que não haverá jeitinho para o seu caso. Marcelo fará o que deveria ter feito há um ano, contar e provar tudo o que sabe.
Depois dessa delação, talvez não reste mais ninguém do atual quadro político. Com sua delação, o Brasil conhecerá a verdadeira face da corrupção, seu alcance e o seu modus operandi. Todas as máscaras cairão e com elas, os cargos.
O Brasil honesto espera, ansiosamente, o conteúdo dessa delação que, segundo o ex-presidente José Sarney, tem o poder de fogo de munição .100, o dobro da que realmente, existe, a .50. A avaliação está correta, depois da delação de Marcelo, aqueles que agonizam politicamente serão finalmente sepultados.