O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados remarcou para hoje, às 13h30, a votação do parecer preliminar do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) sobre o pedido de cassação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por quebra de decoro parlamentar.
A reunião de ontem, que durou pouco mais de três horas, teve vários pedidos de fala e foi suspensa com o início da ordem do dia no plenário da Casa.
Para o deputado Zé Geraldo (PT-PA), não será mais possível adiar a votação, o que já ocorre pela quinta vez. “As questões estão exauridas, e amanhã (hoje) vamos direto para a votação. Se fosse hoje, o Cunha teria perdido”, disse.
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse ontem que é “zero” a interferência do governo quando o assunto é o processo que o deputado Cunha enfrenta no Conselho de Ética da Câmara.
De acordo com o ministro, o interesse do governo é que “as instituições funcionem bem”.
Padilha falou sobre o assunto ao ser questionado por jornalistas se o governo tem interferido no processo de cassação do mandato de Cunha. “A independência entre os Poderes faz com que essa pergunta não possa ser respondida pelo governo e, sim lá pelo Legislativo”. E completou “interferência do governo zero”.
“O interesse que se tem hoje é que as instituições funcionem, a Câmara dos Deputados está funcionando normalmente. A questão da limitação ou não da atuação do deputado Eduardo Cunha, primeiro é uma questão do Legislativo, depois do poder Judiciário. Não teve absolutamente nada que ver com o Poder Executivo”, disse Padilha, em entrevista coletiva, no Palácio do Planalto.
Na mira do Conselho de Ética da Câmara, o presidente afastado da Câmara rechaçou, em nota, a divulgação do pedido para sua prisão que, segundo o jornal O Globo, foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Para Cunha, o objetivo da reportagem, no mesmo dia em que ele era julgado na Câmara, anteontem, é o de “constranger os parlamentares que defendem a absolvição dele, buscando influenciar no resultado”.
No texto, Eduardo Cunha disse que ainda não havia tomado ciência do conteúdo do pedido de prisão. “Por isso, não posso contestar as motivações. Mas vejo com estranheza esse absurdo pedido, divulgado no momento da votação no Conselho de Ética”, destacou.