Tem um galo no terreno ao lado de onde trabalho, que desperta na minha mente os dias felizes da minha infância com seu canto agradável. É um galo preguiçoso que não gosta de descer cedo do poleiro, atrasa o seu canto para às 10 horas da manhã e aí dispara a cantar em intervalos bem curtos.
Pelo seu jeito de cantar nos dá a impressão que está muito satisfeito com seu "harém" de submissas galinhas. À tarde, precisamente às 3 horas, ele espalha, novamente, pelo ar, o seu melodioso canto. Nunca vi o tal galo, mas posso imaginar que tenha um porte nobre e soberbo de quem cuida bem e dá conta de todas as moradoras do galinheiro.
Meu genro ganhou um frango que se tornou galo, e pelo tempo de convivência entre eles, a amizade era tanta que todo dia ia cantar na sua janela antes do sol raiar. Irritado com essa costumeira mania de acordá-lo, todos os dias bem cedo, deu o galo para a empregada que não teve dúvida, e colocou o bicho na panela. "Cozinhar o galo" é uma gíria que acusa alguém de atrasar a tarefa a ser realizada, ficar enrolando para fazer algo que já poderia ter sido feito. Mulher, se o "cara" quer se fazer de galo, durão, inflexível, exigente, coloque-o na panela em fogo brando. Aos poucos, a carne dura vai amaciando e vira um franguinho dócil e submisso.
Para a mulher não é difícil metamorfosear o "galo" em franguinho: você dá o que tem e ele não tem olhos para mais ninguém - só para você meu bem! Mulher sábia não "cozinha o galo", o seu homem satisfaz e vive em paz. É terrível quando no relacionamento do casal, em vez da busca existe a fuga, deixando entre eles espaço suficiente para armazenar ressentimentos.
Perdão fácil faz desaparecer este espaço de sofrimento e ficam juntos novamente. Os nossos sentimentos não podem virar cinza. A Bíblia, a nossa melhor conselheira, ensina que não devemos deixar o sol se por sobre a nossa ira, a resolução diária dos problemas e conflitos evita as raízes da amargura.