Foi uma semana difícil na região, que começou com o homicídio do empresário do ramo de academias Eduardo Costa da Silva, de 41 anos, morto com sete tiros enquanto trabalhava em um de seus estabelecimentos, na Vila Maluf, em Suzano. Pouco depois, veio a notícia do homicídio do secretário licenciado de Turismo de Itaquaquecetuba, Luiz Henrique Lima Vieira, o Riketa, 29, que era pré-candidato a vereador e foi assassinado em uma pizzaria do Parque Piratininga, em Itaquá. Em comum, o fato de que ambos eram ainda jovens e foram vítimas da violência urbana, que dizima várias pessoas no País todos os dias - seja por meio da tentativa de assalto ou mesmo da execução "sob encomenda".
Só que as tragédias não pararam por aí. Anteontem, uma noite bastante fria e de muita neblina chamou a atenção de quem passava pelos distritos de Brás Cubas e Jundiapeba, em Mogi das Cruzes. Para quem conhece a Mogi-Bertioga (SP-98), era de se esperar que a rodovia também estivesse nas mesmas condições, principalmente no trecho de serra. Curiosamente, não estava, segundo um rapaz que, por pouco, não presenciou o acidente que aconteceu com um ônibus fretado, por volta das 23 horas, na altura do quilômetro 84 da estrada.
O desastre avolumou-se após a contagem do número de vítimas fatais, que não parava de crescer. O coletivo, que transportava cerca de 40 estudantes universitários, a maioria alunos das principais faculdades mogianas, perdeu quase a metade de seus passageiros, mortos no local dos fatos e em hospitais.
A tragédia, exaustivamente explorada com entrevistas feitas com sobreviventes, pais das vítimas e testemunhas do acidente, levantou questões importantes por parte das autoridades municipais sobre as condições em que trafegam os ônibus fretados, bem como a necessidade de se pensar em investir mais na educação de nível superior nas cidades do litoral.
Como se sabe, a Mogi-Bertioga é uma estrada sinuosa, que oferece riscos até aos motoristas mais experientes. Nos dias mais frios, em razão da alta incidência de neblina na pista, o perigo aumenta. No entanto, como não havia serração na pista na hora do acidente - e o único que poderia dizer o que ocorrera ao volante também morreu -, é cedo para tirar quaisquer conclusões.
Certo, por ora, é que Mogi amanheceu enlutada pela perda de muitas vidas, em tenra idade, de pessoas que buscavam um futuro melhor e que deixaram pais saudosos das suas presenças. Ficam aqui as nossas condolências.