Como em um filme ou seriado, a política brasileira apresenta seus personagens. Além dos protagonistas - a maioria cumprindo papéis de vilões -, ele conta com os coadjuvantes que muitas vezes se destacam tanto quanto deveriam. Algumas figuras conhecidas da massa, como o palhaço Tiririca (PR) e o ex-big brother Jean Wyllys (PSOL), estão sempre na boca do povo muito mais por suas imagens caricatas do que por ações ou atitudes na Câmara dos Deputados.
Entre essas figuras está o deputado Jair Bolsonaro (PSC). Se tentarmos lembrar algum projeto de lei importante que ele apresentou ou alguma ação que mudou para melhor as nossas vidas não encontraremos. Porém, a quantidade de momentos cômicos, discussões e ofensas não terminam ligadas ao nome dele. É o conhecido circo, que tanto agrada aos brasileiros e, som isso, o político polêmico, cai nas graças da população.
Bolsonaro é conhecido por defender o militarismo, ter posições conservadoras, e com isso acaba sendo mal interpretado na maioria das vezes e taxado de preconceituoso. Como quando foi contra uma cartilha que seria distribuída nas escolas e com as quais as crianças seriam orientadas sobre a homossexualidade. No caso, o deputado parecia até ter razão, pois o material seria entregue para crianças de seis anos, uma idade muito baixa para apresentar o tema. Como dizem, não é o que se fala, mas a forma como se fala. Firme e duro em suas palavras, Bolsonaro causou indignação entre os defensores dos homossexuais.
O mesmo ocorreu quando homenageou um torturador durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff (PT). Ele tem todo o direito de falar o que quer, mas posições conservadoras no mundo atual não estão mais sendo bem aceitas. Novamente, causou revolta. Agora, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados vai instaurar um processo contra ele, por apologia à tortura. Enquanto tentam puni-lo por suas palavras, na Internet ele se torna um mito: o Bolsomito.
Nas redes sociais, centenas de memes (imagens ou vídeos relacionado a humor) mostram o deputado com um óculos escuro, um cigarrinho na boca e ao fundo o som de um rap americano ("Turn Down For What"). Os memes são sempre relacionados a respostas e indiretas que o deputado costuma dar para jornalistas ou inimigos políticos, como da vez em que disse a uma deputada que não a estupraria porque ela não merecia. Frases como essas ganham repercussão na Internet, causam risadas e até apoios daqueles que já não acreditam em mais nada na política.