Em delação premiada, um dos executivos da Odebrecht relatou aos procuradores federais que a empreiteira simplesmente adquiriu um banco para movimentar a propina da Petrobras. Isso mesmo, um banco para movimentar e distribuir o dinheiro ilícito das obras da Petrobras e de outras empresas ligadas ao governo federal.
A quantia movimentada chegou a casa dos bilhões de dólares. Essa informação faz com que o departamento de propina da referida empresa, há pouco revelada, pareça uma brincadeira de criança. Comprar um banco para distribuir propina apenas revela a dimensão e a institucionalização do ilícito no governo federal.
Ainda, segundo o delator, cerca de 16 milhões de dólares foram pagos ao marqueteiro de Dilma, João Santana, por meio de movimentações financeiras internacionais. O rombo parece ser muito maior do que se imaginava, algo simplesmente estarrecedor. Daí a relevância e a indispensabilidade da Lava Jato, que precisa não só continuar, mas ser intensificada, para que se revele de uma vez por todas como funciona a corrupção no Poder Público brasileiro.
A mãe das delações, a delação de Marcelo Odebrecht precisa vir a público rapidamente. Certamente, ela colocará, senão todos, a grande maioria dos políticos em situação de exposição e lançará luz sobre a farsa do financiamento das eleições e de como se desenvolvem as obras públicas neste País.
O que ele irá relatar será o modus operandi de corrupção que se replica em esferas estaduais e municipais. O que se espera é que, assim como a força-tarefa da Lava Jato atuou no âmbito federal, o Ministério Público Estadual atue não só nos estados, mas principalmente nos municípios, combatendo a corrupção nas obras públicas.
Com menos dinheiro desviado e roubado, com certeza, os serviços públicos ficarão melhores. Esperamos que apenas um banco internacional tenha sido utilizado para propina. Esperamos ainda que nada de errado tenha acontecido no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal e, principalmente, no BNDES. Esperamos, mas, sinceramente, não acreditamos, infelizmente.