A morte de um garoto de 11 anos atingido por um tiro disparado por um membro da Guarda Civil Metropolitana (GCM) durante perseguição, em São Paulo, acende a luz amarela não só para a corporação paulistana em relação à sua conduta, como também para todas as outras cidades que dispõem de agentes armados.
Nos últimos tempos, a ampliação do trabalho desses servidores vira e mexe volta a ser debatida. Se já é comum verificar ocorrências de erros e abusos cometidos por policiais, que são treinados para atuar na segurança da população, no caso da GCM com armas o risco também existe.
No Alto Tietê, algumas Guardas Civis Municipais (GCMs) já são armadas, como as de Itaquaquecetuba e Poá, e outras estão prestes a ir para o mesmo caminho, que é o caso da de Mogi das Cruzes, onde os integrantes já passam por cursos de capacitação. Ou seja, a qualificação para a função é essencial. Diminuir ao mínimo do mínimo as chances de ocorrer algo parecido com o do último sábado é fundamental. A corporação tem que ter a população ao seu lado.
No caso do menino Waldik Gabriel Silva Chagas não se viu nem uma coisa nem outra. Os guardas foram afastados e já estão sob investigação. Tudo começou quando uma viatura da GCM de São Paulo foi informada por um homem que havia acabado de ter o carro furtado, na Cidade Tiradentes. O Chevette foi localizado e iniciou-se uma perseguição. Dentro dele estavam dois suspeitos nos bancos da frente e Waldik atrás. Em determinado momento, um dos guardas disparou quatro vezes em direção do veículo. Um dos tiros feriu a criança mortalmente. Em seguida, os outros acusados, também menores, pararam o carro e fugiram a pé, deixando o menino para trás, que chegou a ser socorrido, mas morreu momentos depois.
Neste episódio muitos questionam o que um menino de 11 anos fazia em um carro com dois suspeitos de terem praticado furto. Durante sepultamento, a mãe, Orlanda Correia Silva, desabafou: "Ele podia estar com as pessoas erradas, fazendo coisas erradas, eu não sei. Mas (a GCM) não tinha o direito de fazer isso". Tudo indica que houve erro na atuação dos guardas. Ao mesmo tempo, os pais têm parcela enorme de responsabilidade por não saberem com quem e onde seu filho, uma criança de 11 anos, estava.
Para a GCM de São Paulo, caberá rever como atuam seus membros. Da mesma forma, para as outras cidades, fica evidenciada a importância de também acompanhar e avaliar o desempenho dos agentes para que casos terríveis como esse não aconteçam por aqui.