Nunca se falou tanto em trust na Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha deu, no Conselho de Ética, um "intensivão" de sete horas sobre o tema. Jurando que amealhou as elevadíssimas somas de que "não dispõe" graças a antigas transações comerciais e às "bençãos divinas", a Excelência suspensa garantiu que "doou" tudo a um trust... 
Aguarda-se um novo dicionário Aurélio, pois, no Congresso Nacional, patrimônio não é patrimônio, bens não pertencem a ninguém, ganho é expectativa de tê-lo, conta que não é corrente não conta. E o que é  de alguém é, na verdade, dos outros.
Quais outros truques o deputado afastado usou, para emplacar seu fiel escudeiro, André Moura (PSC-SE), como líder do governo na Câmara? Michel teme Cunha? Só pode, pois nenhum governo que busca ganhar alguma legitimidade daria trela para quem indica um hexainvestigado, réu em três Ações Penais e sob outros três inquéritos, um deles por suposto envolvimento em homicídio.
Romero Jucá, o de todos os governos e do traste da nova tentativa de obstrução da Justiça, com sua tralha de investigações, foi para o Planejamento. Durou dez dias: difícil ter credibilidade para planejar quando se transporta um passivo repleto de denúncias.
Resulta que, em menos de duas semanas, as trapalhadas são grandes: tem ministro da Saúde que trafega tresloucado para a redução do SUS e, à lembrança de que foi financiado por plano privado, volta atrás. O da Justiça rechaçou a tradição democrática da lista tríplice na escolha do Procurador Geral da República, mas teve que engolir, com gosto travoso, suas apressadas palavras. A Cultura foi (con)fundida na Educação, gerando tremenda reação. A Ciência e Tecnologia virou um treco junto com Comunicações, sob a chefia de Kassab, outro que, como o velho PSD, tem a vocação trevosa  da "ostra incrustrada na nau do Estado".
O "museu de grandes novidades" anuncia variada transgressão de direitos, trama jamais apresentada à população nas eleições. Nessa direção, melhor proclamar logo a República da língua do T. De traição, trapaça, tramoia.