Em Poá e Mogi das Cruzes, a Festa do Divino Espírito Santo atrai centenas de fiéis e reforça a fé dos católicos neste mês. A celebração tem dimensões diferentes nas duas cidades, mas a adoração é a mesma. Em tom folcórico, a edição mogiana representa uma viagem ao passado e inspira a sensação de que se está em um município do interior, distante das grandes capitais e do desenvolvimento, mas tudo não passa apenas de uma mera impressão.
A contradição da festa e de toda a sua devoção com a realidade de Mogi chama a atenção. A cidade, na contramão do Alto Tietê e de várias regiões do Brasil, parece não sentir de forma severa a crise vivida no País e cresce com projetos relevantes, obras grandiosas e investimento em setores essenciais que fazem toda a diferença, como a Saúde.
Mogi hoje é "rasgada" na região central pela obra de um túnel sob a linha férrea para acabar com uma das poucas marcas que lhe rendem ares de interior: a passagem do trem no meio do centro comercial. O projeto impressiona pelo tamanho e pela rapidez com que é executado. Em menos de um ano já se tem todo o "corpo" do túnel e sua inauguração está prevista para acontecer no segundo semestre.
O município conta ainda com mais de 60 novas creches construídas, um hospital municipal de grande porte, uma grande obra de interligação alternativa entre Jundiapeba e o centro da cidade para desafogar o trânsito, além da construção de moradias e revitalização de bairros mais carentes.
Esse cenário de desenvolvimento e progresso é totalmente esquecido e se torna até secundário quando se pensa e se participa de uma festa de mais de 450 anos de existência e que mantém suas tradições mais antigas e bonitas. Na manhã de ontem, o centro de Mogi recebeu o cortejo da Entrada dos Palmitos com chamativos carros de bois, cavaleiros exibindo seus belos cavalos, grupos de congada e fiéis de todas as idades.
O público que estava lá, seja o mogiano que participa todos os anos da festa ou o visitante que assiste pela primeira vez ao desfile, se emociona com o que vê, com a fé que paira no ar e com a grandiosidade de uma festa tão antiga e tão importante para a cultura de uma cidade.
Mogi, com suas contradições, e Poá, pequena em extensão, mas que também mantém sua fé viva, são exemplos de que o progresso não precisa ser a única prioridade. São exemplos de que as cidades precisam manter sua tradições, apresentá-las aos seus moradores mais novos e, quem sabe, nunca perder seu "ar" de interior.