Reportagens divulgadas ontem e no início deste mês, na mídia impressa e online, dizem que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, empossado recentemente no cargo, afirmou que faltará dinheiro para a realização das eleições municipais de outubro, porque, em razão dos cortes no Orçamento de 2015, a quantia repassada - que inicialmente estava prevista para ser de R$ 750 milhões -, foi 30% menor. Por causa disso, o ministro pediu um crédito suplementar de cerca de R$ 250 milhões ao Ministério do Planejamento. O repasse serve para custear gastos com contratos, fabricação de urnas, consertos de equipamentos e outras despesas relacionadas com o pleito.
A situação é tão séria que Gilmar Mendes chegou a explicar, em entrevista, que não se pode correr o risco de "adiar as eleições" (a hipótese chegou a ser ventilada pela Justiça Eleitoral, ainda no ano passado, quando o contingenciamento de despesas foi anunciado oficialmente).
Dentro deste contexto, é curioso perceber neste episódio que se falta verba para a realização do processo eleitoral, por outro lado, há que se observar o quanto será injetado nas campanhas. Isso porque, em fevereiro, o ministro já havia comentado que o desvio de dinheiro da Petrobras poderia ressurgir, nas mãos de pessoas físicas, na forma de "doações" a partidos políticos ou candidatos.
A solução para tentar coibir a prática de um eventual "caixa 2", segundo o próprio Gilmar Mendes, seria criar mecanismos específicos que envolvam a participação da sociedade, aliada a um trabalho de inteligência a ser implementado no TSE, em conjunto com a Receita Federal, Banco Central, Tribunal de Contas da União (TCU) e Polícia Federal, entre outros órgãos correlatos.
O ministro ainda exemplificou, nas entrevistas concedidas no começo do ano, que se o PT de fato recebeu um terço dos desvios estimados da estatal petrolífera, da ordem de R$ 20 bilhões, haveria, então, dinheiro suficiente para campanhas até 2038 (o valor estimado gasto na reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, foi de, aproximadamente, R$ 360 milhões).
Por isso, se não há dinheiro disponível em caixa para os processos eleitorais municipais, o que dirá para novas eleições presidenciais ainda neste ano, conforme chegaram a ser cogitadas? E é bom mesmo que a Operação Lava Jato siga seu curso, caso contrário, esse círculo vicioso jamais será quebrado, afinal, o que parece, muitas vezes, é que falta dinheiro para tudo no País, menos para financiar a classe política.