O presidente interino, Michel Temer, divulgou ontem nota de repúdio ao estupro de uma jovem de 16 anos, no último fim de semana, no morro São José Operário, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o relato da jovem à polícia, ela teria sido violentada por 33 homens. Na mesma nota, Temer diz que irá criar um departamento na Polícia Federal para investigar crimes contra a mulher.
"É um absurdo que, em pleno século 21, tenhamos que conviver com crimes bárbaros como esse", avaliou. O comunicado destaca que o Ministério da Justiça e Cidadania convocou uma reunião para a próxima terça-feira com secretários de Segurança Pública de todo o país em uma tentativa de combater a violência contra mulheres.
Ainda segundo Temer, será criado um departamento na Polícia Federal - semelhante à Delegacia da Mulher da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo - para agrupar informações estaduais e coordenar ações em todo país. Quando atuou como secretário de Segurança do governo de São Paulo, Michel Temer instituiu a primeira Delegacia da Mulher no Brasil.
"Nosso governo está mobilizado, juntamente à Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, para apurar as responsabilidades e punir com rigor os autores do estupro e da divulgação do ato criminoso nas redes sociais", concluiu o presidente interino.
O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, também divulgou nota de repúdio ao estupro. No comunicado, o ministro afirma repudiar veementemente o que chamou de crime hediondo praticado contra a adolescente. O estupro, na avaliação de Moraes, representa a maior violência à dignidade da mulher e deve ser duramente reprimido.
Caso
A Polícia Civil do Rio de Janeiro já identificou quatro homens suspeitos de terem participado do estupro de uma jovem de 16 anos.
Em depoimento à polícia, a adolescente contou que foi visitar o namorado em uma casa no alto da comunidade que era usada por homens ligados ao tráfico de drogas na região.
Imagens postadas pelos supostos agressores no Twitter geraram indignação ao mostrarem a menina desacordada e nua. No vídeo, um homem admite: "uns 30 caras passaram por ela".
A vítima do estupro coletivo foi levada na manhã da última quinta-feira para o Hospital Maternidade Maria Amélia, onde fez exames e tomou medicamentos para evitar doenças sexualmente transmissíveis e aids.