Os jovens paulistas têm seus méritos em lutar por causas nobres e merecem o reconhecimento de todos por isso. As manifestações de junho de 2013, que reuniram milhares de pessoas em centenas de municípios do Brasil, não aconteceriam se o Movimento Passe Livre não fosse às ruas de São Paulo brigar, inicialmente, por R$ 0,20. Já a ocupação do prédio do Centro Paula Souza ocorrida nos últimos dias deixa muitas dúvidas no ar.
Primeiro, estudantes começaram a criticar a falta de merenda nas Escolas Técnicas (Etecs). Depois, relacionaram os protestos com as investigações sobre o desvio de verba, feito por alguns políticos, na compra de alimentos para escolas estaduais. Por fim, invadiram um prédio da autarquia, furtaram e destruíram objetos e só saíram após a tropa de choque da Polícia Militar retirá-los do local com decisão judicial.
A diretora-superintendente do Centro Paula Souza, Laura Laganá, disse ontem que o prédio da unidade está destruído e que muitos equipamentos foram furtados. "É uma pena, pois esta é uma instituição que só faz o bem à juventude de São Paulo e sofreu um ataque cruel como esse", desabafou.
A desocupação do prédio ocorreu ontem de manhã e estudantes que tinham invadido o local desde a semana passada foram retirados do local por policiais, alguns puxados a força e outros empurrados, uma vez que tentaram resistir ao pedido de saída. A confusão mostrou algo estranho para as pessoas que não estão envolvidas no assunto. Por que estudantes que reclamam de falta de merenda em escolas técnicas destruíram equipamentos da própria instituição?
O objetivo das reivindicações parece outro. Talvez político. A merenda nem de longe poderia causar tamanha confusão entre jovens quase adultos. Qualquer cidadão reconhece que a falta de merenda nas escolas é um problema grave. Mas não estamos falando de crianças, e sim de adolescentes que, na maioria das vezes, não comem merenda. Estudantes de Etecs parecem até estudantes de faculdades, devido à idade e ao comportamento. Porém, eles querem merenda. Está na lei, é um direito deles.
O Centro Paula Souza já anunciou que o problema será resolvido e um documento já foi assinado para que todos os estudantes recebam alimentação. Mesmo assim, as manifestações continuaram. O foco mudou e os políticos se tornaram o alvo dos grupos. A questão é que estes jovens danificaram o prédio da instituição, atrapalharam as aulas de outros alunos e causaram uma enorme confusão. Resumindo, em 2013 não foi pelos R$ 0,20, e neste ano não é pela merenda.