Os artistas brasileiros podem comemorar. Eles conseguiram de volta o Ministério da Cultura (Minc). Ontem, o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) decidiu recriar o Minc e já nomeou até mesmo seu ministro, que será Marcelo Calero. Tudo isso aconteceu depois de vários artistas criticarem o fato de o presidente cortar o órgão ligado à Cultura, ou melhor, de incluí-lo na pasta da Educação.
Na semana passada, famosos como Caetano Veloso e Erasmo Carlos realizaram um show/protesto no Rio de Janeiro contra o fim do Minc. Sensibilizado com todas essas críticas, Temer não demorou muito e mudou de ideia. Pronto, temos novamente o Ministério da Cultura. Será que agora Caetano e os demais artistas vão parar de protestar? Difícil.
Outra crítica imediata que Temer recebeu após nomear seus ministros foi a de que não havia mulheres nas pastas. Novamente, o presidente em exercício se preparou e já avisou que vai entregar ministérios para mulheres, além de nomear outras para cargos importantes do governo. Se o pensamento seguir essa tendência de distribuição igualitária de poderes, em breve haverá cotas para ministros e secretários do governo federal.
Entre todas essas críticas iniciais é possível observar que o governo atual será fiscalizado com uma lupa enorme por parte da população e da sociedade civil. E isso é a melhor coisa que poderia ocorrer. Com tantos olhos em volta do governo, políticos serão obrigados a fazer as coisas direito.
Um detalhe importante é a de que algumas pessoas não estão olhando para o todo, mas para seus grupos. O fato de nenhuma mulher ter sido nomeada ministra saltou na frente do objetivo maior, que é o de ver o Brasil sair da crise. Da mesma forma, a junção dos Ministérios da Cultura com a Educação foi feito para economizar gastos, uma vez que o País estima sofrer um rombo de mais de R$ 170 bilhões neste ano. Mas os artistas não querem saber disso, pois "o Minc é uma conquista do povo", que não pode acabar, nem mesmo se o Brasil estiver em crise econômica gravíssima, como é o caso. Isto se chama intolerância.
Atitudes estão sendo tomadas pelo governo em exercício. O programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, teve de ser interrompido. Nem de longe um presidente gostaria de tomar esta decisão, impopular, mas são remédios amargos que precisam ser tomados nesta ocasião. De qualquer forma, a decisão de recriar o Ministério da Cultura não mudará em nada o cenário atual do País.