Eu sempre almejei alcançar sucesso profissional. A palavra sempre, certamente, é sempre um exagero. Mas, enfim, não lembro de uma época mais antiga quando não almejava. Talvez quando criança com pouquíssima idade, sem preocupações ou aspirações. Essa divagação me fez lembrar de um dia em que encorajamos minha sobrinha a fazer um desejo, após "esfregar a barriga do Buda". Ela desejou um pão de queijo. Hoje em dia, apenas dois ou três anos depois, já deseja coisas bem mais complexas.
Enfim, alcancei um certo sucesso profissional e planejo alcançar mais, bem mais. Faz parte da minha personalidade. Gosto de me sentir útil, importante, relevante e outras coisas assim. Tenho medo da época da velhice, que virá se eu tiver sorte. Tenho medo de me tornar obsoleto, desinteressante e dispensável. Tenho medo do dia em que minha participação não será necessária, que minha colaboração não será desejada e que minhas opiniões não serão consultadas. Planejo não me aposentar, planejo trabalhar até o fim.
Desejo tudo isso. Porém, a reflexão que faço, agora, é situada nesse momento de relevância, que eu gosto. Tenho a sensação de que as pessoas buscam nos tirar pedaços. Muitos desejam algo de nós e poucos são aqueles que nos procuram para dar algo. Querem ajuda, tantas vezes ajuda gratuita, querem favores, e esses favores nos custam tempo (tempo que poderíamos dedicar a outra atividade, são pedaços que nos retiram). Querem, também, nossos serviços, na forma de uma espécie de favor recompensado, pois, estão dispostos a pagar, desde que isso lhes seja mais benéfico do que a nós. Querem receber mais do que pagar. Também assim, se vão os pedaços.
Extremamente raras são as pessoas que nos procuram para dar em quantia maior do que pretendem receber. Estão em extinção aqueles que nos procuram para dar sem desejar receber. Quando encontramos, devemos valorizar essas pessoas. Devemos estar atentos para, também, ao menos algumas vezes, procurarmos as pessoas para dar sem querer receber.