A tentativa de homicídio contra a modelo e apresentadora Ana Hickmann marcou o noticiário nacional de sábado passado. O fã Rodrigo de Pádua, munido de uma pistola, entrou no quarto de hotel onde ela estava hospedada, em Belo Horizonte, mas acabou desarmado e morto com três tiros na nuca.
O rapaz era apaixonado pela apresentadora. Ana é muito atenciosa com seus fãs, tanto que é ela mesma quem monitora suas contas nas redes sociais e responde aos seus seguidores. Mas o que poderia ter feito Pádua acreditar que havia um romance entre os dois? Difícil afirmar, e é aí que mora o perigo das redes sociais.
O perfil do rapaz: desempregado, 30 anos e dedicação apenas à academia e ao computador, onde mantinha diversas contas na web com fotos e comentários sobre a apresentadora.
Se as mídias sociais são fundamentais para os artistas (de muita ou pouca visibilidade), pois são excelentes ferramentas para divulgação de trabalhos e de aproximação com os fãs, por outro, expõem por demais a vida pessoal. Certamente, o ocorrido de sábado serviu de aviso às celebridades, que deverão tratar com mais cuidado esse contato próximo com seus seguidores.
Não que tragédias envolvendo admiradores e celebridades sejam exclusivas da era digital, mas, certamente, facilita os mal intencionados. Alguns exemplos mais recentes são da cantora Selena, morta em 1995, o guitarrista da banda Pantera, Dimebag Darrell, em 2004, entre outros.
Mas talvez o caso que mais tenha semelhança com o ocorrido seja o de Mark Chapman, fã que assassinou o guitarrista e vocalista dos Beatles, John Lennon, em 1980. Desempregado, como Pádua, ele morava no Havaí. Vendeu tudo, abandonou a namorada e disse que iria para Nova York "esfriar a cabeça". A verdade é que Chapman já estava determinado a matar seu ídolo. Ficou na porta do prédio onde Lennon vivia, o famoso Dakota, em frente ao Central Park, aguardou sua chegada e disparou quatro tiros nas costas do músico britânico.
Pádua fez parecido. Morava em Juiz de Fora, vendeu seus pertences e foi a Belo Horizonte, alegando à família que iria "tirar umas férias". A verdade é que, assim como Chapman, ele também estava determinado a matar Ana.
Uma adoração descabida foi determinante nesses dois casos. Por sorte, Ana não teve o mesmo final trágico de Lennon, mas faltou muito pouco. E apesar dr a era digital facilitar atos de insanidade de terceiros, muitas vezes, são incontroláveis e fica difícil até encontrar meios de serem evitados.