A exatos três meses do início da Olimpíada no Rio de Janeiro, podemos constatar que o maior evento esportivo do mundo, por enquanto, está ofuscado. E não é para menos, já que o histórico momento político e econômico que vivemos, tem tomado conta dos noticiários. Há quem acredite que o evento deveria ser cancelado. Tarde demais. Existe, inclusive, um temor em relação à saúde dos visitantes, às estruturas olímpicas e, claro, à violência urbana. Mas também há os que acreditam que o "furacão" em que o País está inserido não irá atrapalhar a organização do evento.
O certo é que milhares de estrangeiros chegarão em breve ao Rio de Janeiro, talvez para a viagem mais emocionante do ano. Não pelos jogos propriamente dito, que, com certeza, trarão muitas emoções em diversas modalidades, muito menos pelas opções de esportes radicais que a "Cidade Maravilhosa" oferece, mas sim porque é preciso coragem para desembarcar em terras tupiniquins no atual cenário oferecido. Haja espírito aventureiro!
Dengue, zika vírus, microcefalia, febre chikungunya, ameaça de ataque terrorista, estruturas olímpicas feitas sob regime de segurança duvidoso, águas poluídas, violência urbana, além da novela "Crise Política" que os brasileiros vêm acompanhando, com enfoque no processo de impeachment da presidente da República Dilma Rousseff (PT) e o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Com esse cenário, chega a ser irresponsável a realização de um evento festivo no Brasil.
Definitivamente, não demos sorte em realizações dos dois maiores eventos esportivos do planeta. Copa do Mundo já sediamos duas vezes e contabilizamos duas catástrofes futebolísticas. E agora temos os Jogos Olímpicos batendo à porta. É como esperar a visita de alguém por anos em sua casa e a pessoa chegar justamente em um período crítico familiar, como uma separação ou a morte de um ente querido. É com sorriso forçado que o Brasil vai receber a Olimpíada.
Por sorte, segundo especialistas, as chances de espectadores e atletas serem infectados por alguma das doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti em agosto são mínimas, já que, historicamente, um dos meses com menor notificação de dengue, assim como o zika, é agosto.
Mesmo assim, apesar de todos os benefícios que os Jogos Olímpicos podem trazer, um mega evento sempre traz estresse e tensão, ingredientes desnecessários para o povo e para o governo brasileiro atualmente.