A cada dia que passa os dados são mais alarmantes. E o que antes era para ser uma data para reflexões e comemorações, o Dia do Trabalho no Brasil, nos últimos anos, tem sido motivo de lamentações e angústia, principalmente pela dúvida sobre os rumos da economia. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram que a taxa de desemprego no Brasil chegou a margem de 10,9% de janeiro a março deste ano, o que corresponde a mais de 11 milhões de pessoas.
A situação no Alto Tietê segue o mesmo cenário. Reportagem desta edição evidencia que no primeiro trimestre deste ano houve a perda de 2,7 mil postos de trabalho, que foi o resultado da diferença entre 29 mil demissões e 26,3 mil contratações no período. Para se ter uma ideia, nos três primeiros meses de 2015 a região registrava o acréscimo de 2,9 mil vagas.
A instabilidade política é fator preponderante, pois enfraquece a economia e afugenta investimentos. Por isso a solução rápida para o processo de impechment da presidente Dilma Rousseff (PT) é tão fundamental, sendo aprovado ou não. A incerteza do que vai acontecer deixa o País estagnado, nada mais gira e muitas empresas não veem outra saída senão realizarem cortes e mais cortes para conseguirem sobreviver.
O atual governo está desacreditado diante de tantos casos de corrupção, especialmente o maior de toda a história republicana brasileira, que envolve nossa principal estatal, a Petrobras. Antes gigante lá fora, hoje é motivo descrédito. A devassa causada pela Operação Lava Jato não tem fim. E ao contrário do bradam muitos governistas, não é a investigação do Ministério Público Federal e da Justiça Federal a responsável por esse buraco em que o País está, mas sim os vexames que são revelados constantemente.
E mesmo que Dilma seja afastada, um governo Michel Temer (PMDB) também é uma incógnita, embora muitos considerem que já será um fôlego novo que poderá refletir na economia, uma vez que a gestão atual não teria capacidade nem condições de se reinventar.
É por isso mesmo, pensando na votação do impeachment no Senado, que a presidente deve anunciar hoje um "pacote de bondades" no ato da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo. Entre elas está o reajuste nos benefícios do Bolsa Família. Parece ser a última cartada para conseguir apelo popular e tentar se agarrar a ele como uma salvação que seja suficiente para reverter votos de alguns senadores a seu favor, que é o que só importa a ela agora. Enquanto isso, os desempregados vão esperando e os números negativos aumentando.