Em vários lugares vemos situações que fogem completamente ao tempo presente. Elas deveriam ser de uma maneira, ao nosso ver, mas por questões culturais talvez, nos trilhos elas sempre fogem ao controle.
Algo que sempre escuto durante as viagens é alguém distraído e, de repente, recebe uma ligação (ou a faz). Provavelmente, do outro lado, alguém pergunta: "Onde você está"? E gaguejando, atônito, sem saber direito onde, mas também acho que sabe e não quer dizer, solta logo um: "Em cinco minutinhos estou chegando em Guaianazes, só falta uma estação". Só que na verdade, ainda está saindo do Tatuapé!
Como todo mundo sabe que os trens não são aquele primor em pontualidade, a outra pessoa acaba nem percebendo que dos cinco minutos vão se passar quase 20 e fica tudo bem, assim esperamos todos.
Outro caso que me deixa bem intrigada ultimamente, e sempre venho questionando a CPTM, mas sem êxito em obter a resposta, é sobre as goteiras na Estação da Luz. São baldes e mais baldes espalhados por toda a estação para conter o aguaceiro no meio de nós, usuários, mas o que mais me deixou pensativa foi quando começaram as chuvas nesta semana. Todo dia tem goteira, mas no dia de chuva não! Gente, não tinha um balde, nada ali pingando. Inacreditável! Totalmente fora de contexto! Até as goteiras burlam o óbvio.
O mistério também é formado e detectado como anormal quando saímos de casa com o noticiário avisando que as linhas de trens, justamente aquelas que utilizamos, estão com problemas, e berrando, em desespero, pedem para evitarmos e mudarmos o trajeto, como se fosse algo fácil.
Já saímos de nossas casas rezando para todos os santos possíveis, nos apegando a vários credos e quando chegamos no lugar da muvuca máster, o que acontece? Embarcamos tranquilamente e ainda sentamos. Vai entender.
É tanto estresse que acho que afasta todo mundo. E nós, resistentes na luta, ganhamos o merecido troféu que, neste caso, é sentar e ir rapidamente até o lugar desejado. 
Quais mistérios mais encontraremos nos trilhos?