"Varre, varre, vassourinha/Varre, varre a bandalheira/Que o povo já está cansado/De sofrer dessa maneira". O jingle da campanha de Jânio Quadros à Presidência da República nos anos 1960, tinha como mote o combate à corrupção, utilizando como símbolo uma vassoura. Diante de tantos escândalos sequenciais envolvendo políticos de vários partidos, grandes empresários e "laranjas", a impressão que se tem é que nunca ficou tão clara a constatação do quão enraizada continua essa cultura no Brasil - a de levar vantagem na frente dos outros, principalmente ao ocupar cargos públicos ou de confiança, nem que para isso tenham que ser atropelados os direitos individuais e coletivos e roubados aqueles para quem, verdadeiramente, se trabalha.
De olho nisto, ontem, o Ministério do Planejamento lançou um "Programa de Integridade", com a finalidade de tornar menos intensos a corrupção e os desvios éticos, conforme noticiou a Agência Brasil. O programa surgiu "a partir das orientações da Controladoria-Geral da União (CGU) e prevê, além do reforço ao que determinam a Lei de Acesso à Informação e a Lei Anticorrupção, a criação de um código de conduta, um canal de denúncias, o reforço na governança e um conjunto de medidas de prevenção contra a corrupção", de acordo com informações da agência do governo federal.
Ainda segundo o ministro-chefe da CGU, Luiz Augusto de Britto Filho, o objetivo é "criar uma atmosfera mais íntegra no País". Vale lembrar que, recentemente, o Ministério Público Federal anunciou um abaixo-assinado, também relacionado ao assunto, intitulado: 10 Medidas Contra a Corrupção.
Porém, de qualquer maneira, não basta apenas a boa vontade de se criar um cenário político melhor e mais transparente. A população, especialmente agora, com a proximidade das eleições, precisa analisar bem seus candidatos e votar com consciência, porque a corrupção não se combate somente com iniciativas desse tipo. É imprescindível que os corruptos sejam identificados antes mesmo de serem eleitos, pois a ética provém do caráter e, muitas vezes, vem de berço. Quanto antes forem extirpados do processo eleitoral, maiores são as chances de termos bons administradores do dinheiro público e uma sociedade mais sadia e igualitária.
E é bom se preparar, porque com a faxina depurada que andam fazendo, a tendência é que mais sujeira acumulada para debaixo do tapete venha a surgir. E viva o retorno da vassourada!