Uma série de medidas foi anunciada ontem pelo presidente interino Michel Temer (PMDB) para tentar retomar o desenvolvimento no País. A princípio, todas parecem ter o principal fator para alcançar o sucesso: o bom senso. Uma das mudanças é a de fixar um limite para gastos públicos. A ideia é que os valores não aumentem mais do que a porcentagem da inflação de um ano para o outro. Nada mais justo, já que o salário mínimo de cada trabalhador segue esta regra.
Além disso, o governo quer utilizar o dinheiro que está guardado no Fundo Soberano, que é uma espécie de poupança criada em 2008 para ser usado em períodos de crise, e cobrar pelo menos R$ 100 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem dívidas com a União. Temer pretende ainda diminuir as ações da Petrobras na busca do pré-sal, que não tem mais dado tanto resultado ao País, e o serviço custa muito caro aos cofres públicos.
Se nenhuma dessas medidas der certo, o governo volta a pensar em aumentar impostos ou criar a tão temida CPMF. Sobre as mudanças na Previdência Social, o objetivo é fazer alterações apenas após um acordo entre representantes dos trabalhadores, dos aposentados e das empresas. Ou seja, na teoria, está no caminho certo.
Ao contrário do governo Dilma Rousseff (PT), o atual tem dialogado com as partes, utilizado todos os meios para evitar a prorrogação da crise e feito cortes na própria carne (do setor público) antes de aumentar impostos à população. O grande problema é que até agora tudo isso são ideias, projetos, medidas e propostas. É preciso o apoio e a aprovação do Congresso Nacional para que qualquer uma dessas medidas ocorra na prática. E esse apoio é difícil de conseguir.
Até tempo atrás, todos sabíamos, mesmo sem provas, que o voto de um senador ou deputado era "conquistado" com alianças políticas e troca de favores. Hoje, qualquer ação do tipo pode escorregar e cair em algum tipo de crime ou irregularidade denunciada na Justiça. Hoje em dia, a política está toda vigiada, e cada passo em falso será acusado, execrado e usado por adversários.
A luta para tirar o País da lama será complicada, pois muitos tentarão segurar essa reação, simplesmente por causa própria, pelo seu partido e sua ideologia. No entanto, é precisa lembrar que quando Lula e até mesmo Dilma, em seu primeiro mandato, fizeram coisas boas para o Brasil, a grande maioria dos políticos prestou o apoio necessário para um bem maior.