O governo de Atenas deverá fazer chegar a Bruxelas durante o fim de semana um novo pacote de medidas, como a reforma das pensões e uma reforma fiscal, de modo a que os credores liberem as parcelas dos empréstimos internacionais, dentro do terceiro resgate financeiro concedido ao país em julho 2015, e no momento em que há a possibilidade de o país entrar em descumprimento.
A reforma das pensões sugerida pelo governo Syriza-Anel, de Alexis Tsipras, pretende poupar recursos destinados às reformas através do corte das pensões suplementares e de um aumento das cotizações de trabalhadores e patrões.
A reforma fiscal contempla aumento do imposto sobre os rendimentos, com o objetivo de que as receitas do Estado cresçam, enquanto outra lei, que deverá ser apresentada em breve no parlamento, prevê um aumento do IVA de 23% para 24%, e de outros impostos indiretos, para garantir outra importante receita anual.
Entretanto, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI, um dos credores), Christine Lagarde, considerou numa carta enviada aos 19 ministros das Finanças do Eurogrupo e divulgada pelo Financial Times, que o plano de austeridade imposto a Atenas "não é credível" e também "não é desejável".
Este pacote de medidas tem como objetivo obter um excedente primário (sem juros da dívida) de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018. O governo grego ficou de apresentar um plano B, com medidas de austeridade equivalentes a 2% do PIB. Este pacote de contingência soma-se a um primeiro pacote de medidas de austeridade, de 3% do PIB, que já estavam desenhadas desde julho do ano passado.
O governo de Tsipras contesta esta imposição adicional de cortes orçamentais, e pediu a Donald Tusk um Conselho Europeu extraordinário, mas o pedido não teve acolhimento, tendo sido marcado um Eurogrupo, no qual Portugal estará representado pelo ministro das Finanças, Mário Centeno.