Já é do passado o momento em que Waldir Maranhão, em sua estreia, e valendo-se do cargo de presidente da Câmara, tentou trazer o processo de impedimento da presidente à estaca zero.
Lembram-se todos que, premido pela franca oposição à sua atitude, em seguida, voltou atrás e revogou o próprio ato.
Cobertos de razões, tantos e tantos, com gritos estridentes, se manifestaram sobre o inusitado, dizendo que ele não era firme em suas convicções.
Vindo de político, de quem tudo se espera, já que navega ao sabor das ondas, não deveria ter causado espanto o ato de se desdizer. Afinal, em terras tupiniquins, nós os engodados de sempre já deveríamos ter nos acostumados com logros desse jaez (digam-me as eleições em que, feitas promessas, são elas depois cumpridas)!
Logo em seguida, no entanto, na seara judicial, fato semelhante teve vez.
Apresentado pedido de instauração de inquérito contra o senador Aécio Neves, Gilmar Mendes, acredita-se, após o exame que se espera do magistrado, achou por bem deferir o pretendido.
No dia seguinte, porém, em ato, este sim, que beira o absurdo, resolveu devolver a matéria à origem - Procuradoria Geral da República -, para que reanalisasse a questão, e, se o caso, renovasse o pleito.
Aqui não se trata de abusado cultor de arapucas. Ao contrário, está a se falar de magistrado, aquele em que, levado pela certeza da coerência, equilíbrio, e, principalmente, imparcialidade, predicados exigidos pelo solene cargo que exerce, depositamos, por vezes, nossas últimas esperanças.
O que teria levado S. Exa., a se desdizer? Açodada decisão, num primeiro instante não se debruçando como necessário sobre a causa? Erro praticado pelo assessor "que decidiu"? Ou encontro espúrio, daqueles não rarors nas madrugadas de Brasília, sempre visando trocas de favores?
Episódio obscuro mereceria da sociedade brasileira, "embargos de declarações orais"!
Por incrível que pareça, nesse caso, muito mais grave, todos se quedaram silentes!