A política brasileira, por sua incoerência, assusta a qualquer um, com ela desacostumado, que busque analisa-la.
Aquilo que era gravoso, que distinguia negativamente um governo, que levava o povo às ruas, num repente se transforma em fato normalíssimo e assimilado pela sociedade.
Senão vejamos: Dilma foi acusada de mentir na época eleitoral, o que pesou sobremaneira em seu governo. Segundo se dizia, no afã de conquistar votos, pregou sonho econômico inalcançável, com isso iludindo boa parcela do eleitorado.
Veio Temer, e, em alto e bom som proclamou que sua administração, interina ou não, manteria os benefícios sociais distribuídos anteriormente.
Primeiros atos: promessa de diminuir as verbas do Pronatec, Fies, e "Minha Casa Minha Vida", programas, como se sabe, essenciais às classes menos favorecidas.
Ao que eu tenha ouvido a pecha de mendaz não o alcançou. A massa, antes ensandecida se quedou silente!
Não para por aí!
Na busca de vencer a vertiginosa queda da nação, a equipe econômica de então apresentou plano, rejeitado liminarmente, eis que o Congresso o tachava de demasiadamente rígido, incompatível quer com a opinião pública, quer com o momento que vivíamos.
O solerte e festejado Ministro da Fazenda da Presidência Interina, usou dos mesmos métodos, sem se pejar de ser plagiador, e as forças da Câmara e Senado, de pronto os tomaram com aqueles que levariam à salvação da agonizante pátria!
Para nós, que convivemos anos a fio com brincadeiras sem graça desse jaez; que aprendemos a conhecer o deplorável caráter dos políticos que nos governam; que sabemos o quanto natural é para esses seres, por vezes desprezíveis, ludibriar, engodar, fingir; já não causam espécie situações como essas.
Com o vagar dos anos, infelizmente, passamos a aceitar, passivos e conformados, o logro, a corrupção, o coronelismo, as fraudes.
Mas para aquele que, formado em outra escola mantém a dignidade da qual abdicamos, isso assusta. E muito!