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O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ontem, durante seu depoimento no Conselho de Ética, que não indicou "um alfinete" para o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB). "Se achar que devo fazer gestão por quem quer que seja, eu faria, mas não o fiz. Não tem um alfinete nesse governo indicado por Eduardo Cunha", afirmou.
Cunha rebateu o líder da Rede, Alessandro Molon (RJ), que criticou a influência de Cunha na Câmara e na montagem do governo Temer. O deputado é apontado como o dedo por trás das indicações de Alexandre de Moraes (ministro da Justiça), do advogado Gustavo do Vale Rocha (subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil) e Carlos Henrique Sobral (chefe de gabinete da Secretaria de Governo, ocupada por Gedel Vireira Lima).
Sobral foi assessor de Cunha na presidência da Câmara. Cunha também é apontado como responsável pela indicação do líder do governo, André Moura (PSC-SE).
Molon lembrou o argumento usado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para afastar Cunha por entender que ele usava o cargo para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. Em sua decisão, o ministro Teori Zavascki argumentou que a permanência de Cunha na presidência da Câmara "é um pejorativo que conspira contra a própria dignidade da instituição por ele liderada."
Ainda ontem, o ex-presidente teve de explicar sobre compras no exterior. Em seu depoimento, Eduardo Cunha disse que os gastos em viagens no exterior foram pagos com o cartão de crédito da sua esposa. Cunha é alvo de um processo de cassação de mandato por, supostamente, ter mentido em maio de 2015, à Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, sobre contas na Suíça.
"Todos os gastos foram feitos com um cartão de crédito dela. Ela não é objeto dessa representação. Vossa Excelência não tem um gasto, não tem cartão de crédito cuja a titularidade seja minha. Eu era apenas dependente de cartão de crédito da minha esposa", disse Cunha ao ser questionado pelo relator do processo, deputado Marcos Rogério (DEM-RO).
A estratégia de Cunha é negar que ele tenha qualquer relação com as diversas contas descobertas no exterior e atribuídas a ele.