Se por um lado aqueles que apoiam o governo da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) vibraram com o afastamento do ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), após ele ter sido flagrado em conversa telefônica com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em que sugeriria um acordo para frear a Operação Lava Jato, por outro, a angústia aumenta ainda mais para quem não aguenta mais sofrer com o País literalmente parado.
De fato, não deveriam comemorar. Assim o fazem porque consideram que o episódio reforça o que insistem em chamar de golpe, a aprovação do início do processo de impeachment de Dilma. Tanto é que alguns manifestantes em Brasília já vincularam Jucá e o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) como os responsáveis pela situação atual. O que todo mundo sabe é que o início dessa bagunça toda começou antes, muito antes, e por isso mesmo outro governo, ainda que inicialmente provisório, foi colocado no lugar. Haja vista o rombo nas contas públicas que é esperado para este ano, o mais alto de toda a história do País: R$ 170 bilhões. Este sim um golpe e tanto.
Se a acusação contra Jucá realmente proceder e tudo indicar que tentou prejudicar a investigação da Polícia Federal, Temer deve reconsiderar muitos de seus atos, a começar pelo aspecto ilibado de seus nomeados. Sete dos 24 ministros são investigados pela Lava Jato ou respondem a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda que fossem seus apoiadores em todo o processo que culminou no afastamento de Dilma, não poderiam integrar seu governo. Qual a moral de se atacar os que estavam antes escolhendo para o lugar quem também tem teto de vidro?
É justamente após uma notícia como a de ontem que tudo pode cair por terra. Jucá garante que sua conversa interceptada era referente a "estancar a sangria" da economia brasileira e não dizia respeito a impedir que seu caso na Lava Jato fosse enviado para Curitiba. Da mesma forma que muitos consideram um "tiro no pé" o anúncio do encerramento do Ministério da Cultura e a fusão com o Ministério da Educação. Após a grita de inúmeros artistas, em especial de apoiadores da outra gestão, o presidente em exercício reconsiderou o ato.
Ou seja, tudo aconteceu e está acontecendo num atropelo atrás de outro. O afã de afastar Dilma parece ter continuado, como se apenas isso importasse. O que se espera é que tudo tenha sido algo isolado, repentino e passageiro e que seja resolvido. Não dá mais para se sustentar em cima de crise e de indícios de irregularidades e "malfeitos".