Há mais de cem anos começou a Primeira Guerra mundial, em 1914. Em seu livro, "O Mundo Que Eu Vi", o escritor judeu austríaco Stefan Zweig olha com nostalgia para "os áureos tempos de segurança" e escreve: "O século dezenove, em seu idealismo liberalista, estava sinceramente convicto de se encontrar no caminho reto e garantido em direção ao "melhor de todos os mundos".
Com desprezo olhavam para as eras passadas, com todas as suas guerras, fomes e revoltas, um tempo em que as pessoas ainda não eram autônomas, nem esclarecidas. Mas, agora seria só questão de algumas décadas, e a violência e todo o mal seria definitivamente vencido. Naquele período, essa crença em um progresso ininterrupto e irreprimível, tinha a força de uma religião. Acreditava-se mais no desenvolvimento e no progresso do que na Bíblia, amparados pela ciência e pela tecnologia. A crença visionária de progresso contínuo foi despedaçada, quando, no verão de 1914, irrompeu a "Grande Guerra", chamada de "mãe de todas as catástrofes do século XX", a "Primeira Guerra Mundial". Esse conflito armado entre vários países custou a vida de 10 a 11 milhões de soldados e de 6,5 milhões de civis, que morreram com os tiros, as granadas, o gás mostarda e a fome.
Na época que antecedeu a guerra muitos políticos, intelectuais, banqueiros e empresários achavam que nunca aconteceria. Hoje estamos vivendo uma situação muito parecida. O Ocidente desfruta de uma era enganosa de segurança firmada no arsenal mundial de armas de grande poder de fogo e destruição. A paz armada é um velho conto de fadas que termina em pesadelo. A lição trágica do passado não tem sido suficiente para convencer os homens que a guerra cobra um preço demasiado alto para obter-se o trono do poder, rodeado de ódio e amargura.