O Senado tem realizado as últimas discussões sobre o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Apesar de tantas explicações, seja da defesa da petista ou dos autores do pedido de impedimento, nada parece mudar a posição dos senadores, que devem votar a favor da saída dela no próximo dia 11. Ainda assim, vale a pena assistir aos debates e ver como agem os nossos políticos.
Na semana passada, o senador Magno Malta (PR-ES) falou com a jurista Janaína Paschoal, que é uma das autoras da ação contra a presidente. Ele explicou que a saída de Dilma é igual aos afastamentos de prefeitos que ocorrem em centenas de cidades do Brasil. Ele lembrou que, por muito menos, prefeitos são afastados porque tiraram dinheiro da Educação para comprar gasolina para a ambulância, por exemplo. Inclusive, isto pode ser comprovado aqui na região, onde dois prefeitos, de Poá e de Ferraz de Vasconcelos, estão afastados.
No final de sua fala, Malta ainda criticou a teoria da defesa que ameaçou tentar anular a votação ocorrida na Câmara porque os políticos votaram por outros motivos, e não pelas pedaladas fiscais. Ele lembrou que um dos maiores aliados do governo, o ex-ministro Jaques Wagner, votou no impeachment de Fernando Collor em 1992 e, da mesma forma que os deputados atuais, agradeceu parentes e amigos. O senador afirmou que o momento da votação é histórico para o País, e os políticos querem aproveitar para agradecer quem os ajudou a chegar até ali e que isso não muda a intenção do voto.
Já nesta semana, o senador Randolfo Rodrigues (Rede-AP) fez uma "pegadinha" com a jurista Janaína Paschoal. Ele perguntou sobre quais seriam os crimes no caso de o presidente liberar verba sem o consentimento do Senado. Ela respondeu dizendo quais eram as punições. Depois, Randolfo avisou que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) era quem tinha liberado tais verbas sem autorização e, com isso, também deveria sofrer o impeachment.
Já durante as discussões com o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, bons debates ocorreram no Senado, principalmente quando os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Cristovam Buarque (PPS-DF) fizeram perguntas para ele. Os dois queriam saber se a presidente mentiu para o País para conseguir a reeleição. Cardozo respondeu categoricamente que não e apresentou seus argumentos. Elogiado pelos senadores, o advogado saiu aplaudido pelo seu desempenho nos debates, mas não conseguiu mudar a opinião de ninguém sobre o impeachment.