Dominou o noticiário nacional e foi destaque na Imprensa internacional o estupro de uma adolescente de 16 anos, ocorrido no sábado passado, em uma comunidade da zona oeste do Rio de Janeiro. A garota tinha ido até a casa de um rapaz, com quem mantinha um relacionamento havia três anos, e acordou no dia seguinte em outra residência, dopada e nua, com 33 homens armados com fuzis e pistolas. A menina voltou para os pais somente na terça-feira, ferida, vestindo roupas masculinas rasgadas e aparentando estar drogada. Inicialmente, não contou nada a eles, porém, não tardou para que a verdade fosse descoberta por meio dos próprios criminosos, que compartilharam fotos e vídeos da vítima desacordada e toda machucada. A menor havia sido violentada por todos eles.
A divulgação do crime chocou não só as autoridades e famílias brasileiras, mas teve grande repercussão também no exterior, onde o fato foi amplamente divulgado. A indignação também tomou conta das redes sociais, onde internautas, homens e mulheres, aderiram a uma campanha virtual dizendo "não" ao estupro e à violência contra as mulheres.
Tornaram-se frequentes as reportagens sobre esse tipo de crime, não só no Estado, mas também na região. Praticamente todas as semanas é publicado algum caso de estupro, envolvendo mulheres e crianças. A violência doméstica também tem se tornado "comum", estampando as páginas policiais. A Guarda Civil Municipal (GCM) de Suzano, por meio da Patrulha Maria da Penha, atende a várias ocorrências do gênero e foi criada, exclusivamente, para tentar inibir e "dar guarida" às mulheres que sofrem nas mãos dos agressores, na maior parte das vezes, dentro da própria casa. O exemplo tem sido seguido em outros municípios do Alto Tietê. Casos de agressões as crianças constituem outro dado preocupante, pois trata-se de um crime difícil de ser percebido, visto que as vítimas, até pela tenra idade, não falam sobre os maus tratos e os vizinhos não costumam denunciar o que ouvem ou presenciam.
Sem dúvida, a cultura e a educação predominantemente machistas colaboram para que casos como esses sejam acobertados pela vergonha e pela omissão da população. Uma sociedade que sequer aceita a sexualidade alheia e se acha no direito de se intrometer na opção de vida de outrem tem a tendência a culpar sempre as vítimas. Enquanto esse pensamento arcaico não for modificado e a justiça não prevalecer, ainda leremos muitas notícias como essas, infelizmente.