De se lamentar comentário feito pelo conhecido Alexandre Garcia, esta semana. Tendo se firmado como comentarista político, passou a merecer as badalações de estilo quando ingressou no estelar elenco de apresentadores de jornal da TV Globo. A partir de então, ele, que extravasava vaidades, entendeu que sua palavra era lei, tinha o dom de obrigar a se raciocinar de maneira, por vezes obtusa, como ele faz.
Dito isso, o comentário ao qual me refiro, teve por condão apresentar sua face ditatorial, retrógrada e até um tanto sinistra. Na fala, desancou José Mujica, ex-presidente do vizinho Uruguai, que, ao discursar em solenidade, disse que o governo deve ser conquistado pelo voto popular. Tachando-o, pejorativamente, de folclórico, insinuou que ele deveria ser preso por se imiscuir em problemas brasileiros.
Mujica, ao sair da governança, além de receber forte apoio nas pesquisas, foi aclamado por sem número de pessoas, que lhe agradeciam pelo que fez no tempo que presidiu. Além disso, foi eleito personalidade das mais influentes do mundo por respeitáveis revistas especializadas.
Talvez seja folclórico - ao menos ao ver daquele senhor - por, não se rendendo aos salamaleques do cargo; por, não compactuando com a corrupção que grassa solta por essas bandas; dirigir um velho e amado "Fusca" e morar em chácara humilde na periferia de Montevidéu.
Queríamos, com certeza, todos nós, ter em nossos quadros políticos "figuras risíveis" como essas!
Ademais, mesmo que sua fala tenha abordado a triste situação atual, convidado por autoridades locais para se fazer presente no ato, não representava o estrangeiro bisbilhoteiro que, em país em que se encarcera a torto e a direito; em terra em que a condução coercitiva vem se tornando moda; mereceria as masmorras por, exercendo a liberdade de pensamento - tão cara aos países de Direito -, repisar sobre regra básica da democracia.
Seguiu adiante em sua malfadada cantilena, como se verá mais tarde.
Deixou no ar rastros de ignorância.