Só quem mora longe do trabalho e depende de transporte público vai se identificar com esse texto. Como já falei muitas vezes, esse é realmente o meu caso: moro em Suzano e trabalho praticamente na zona sul de São Paulo. Gasto, no mínimo, quatro horas nesse trajeto, ida e volta.
Além dos perrengues tradicionais, como lotação, gente com odor duvidoso, pessoas não tão educadinhas, atrasos, quebra de trem, etc., pense na dificuldade que é carregar objetos grandes e pesados.
Geralmente, quando a gente avista alguém chegando na plataforma entupida com algum desse tipo, já dá aquela torcida na boca, com direito a careta franzindo a testa pensando, isso não vai entrar no trem não!
A primeira empresa em que trabalhei na capital fornecia cestas básicas mensalmente. Fui da felicidade à tristeza logo na primeira que recebi. Eram dez quilos de arroz, além das miudezas tradicionais dessas cestas.
Mesmo trazendo de picadinho, pouco a pouco, só um saco de arroz já me fez pensar duas vezes se levaria o resto para casa novamente. Por sorte, nos meses seguintes, meus pais haviam voltado de Recife e com eles, o carro veio junto, aí conseguia trazer sossegada para casa, mas seriam meses difíceis, com certeza.
O mesmo vale no final do ano com as cestas de Natal que ganhamos de brinde.
Além das gordices gostosas, nessas sempre tem alguma garrafa de vinho ou outra bebida. Você precisa tomar um cuidado enorme porque já imaginou isso pegando pressão dentro do vagão, estourando e dando um banho na galera? Ou pior, quebrando no embarque nosso selvagem de cada dia? É bom nem pensar. 
Na Páscoa é um tantinho pior por conta da fragilidade do brinde. Ele pode derreter, esfarelar todo e tudo bem se ele quebrar, afinal, ninguém come um ovo de páscoa inteiro de uma vez, mas vai explicar isso para seu filho que está louco esperando para abri-lo? Quem estuda Direito e tem que carregar pra lá e pra cá o Vade Mecum?
Enfim, são tantos desafios quando precisamos nos deslocar nessas distâncias com sacolas, bolsas e afins que merecíamos uma medalha de honra ao mérito ou algo do tipo, não acham?