Muita pequena e média empresa ainda acredita que não chama a atenção de criminosos digitais. Esse pensamento, embora comum, é perigoso. Hoje, o porte da empresa já não é o principal critério. Na prática, o criminoso procura brecha, não tamanho.
Uma PME pode ter uma equipe enxuta e, mesmo assim, concentrar informações valiosas, movimentação financeira, cadastros de clientes, contratos, documentos e toda a operação apoiada em poucos sistemas. Quando isso cresce sem proteção na mesma velocidade, o risco se instala sem fazer barulho.
Na maioria das vezes, o problema não começa em um ataque sofisticado. Começa no básico mal resolvido. Um colaborador que clica sem perceber. Uma senha repetida em vários acessos. Um e-mail corporativo usado sem critério. Um backup que existe, mas nunca foi realmente testado. É assim que muitas empresas descobrem, tarde demais, que estavam mais expostas do que imaginavam.
Nas pequenas e médias empresas, a rotina costuma ser intensa e o foco quase sempre está na operação, nas vendas, no financeiro e na entrega. Segurança vai ficando para depois. O problema é que, quando o incidente acontece, ele não afeta só a tecnologia. Afeta a confiança, interrompe processos e, em muitos casos, gera prejuízo direto.
A boa notícia é que proteção não começa, necessariamente, com algo complexo. Em geral, começa com organização. Revisar acessos, limitar permissões, separar o uso pessoal do corporativo, orientar a equipe e criar rotinas simples de cuidado já muda bastante o cenário.
Segurança da Informação deixou de ser um assunto distante ou técnico demais. Para pequenas e médias empresas, ela passou a fazer parte da continuidade do negócio. Em muitos casos, o que falta não é tecnologia. É a percepção de que crescer sem proteção também é uma forma de risco.
Fábio Queiroz é CEO da SanviTI TSI, Especialista em Tecnologia e Segurança da Informação.