O trabalho voluntário na Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes é uma tradição da família Grinberg. Devota há décadas, Sylvania Grinberg, 68 anos, participa ativamente desde 1994 da festividade junto ao marido Saul, quando os dois foram festeiros. Neste domingo, Dia das Mães (10), ela destaca que o envolvimento com a festa atravessa gerações e que a filha, Stella Grinberg, 43, e a neta, Stephanie Pires Grinberg, 22, também são  voluntárias, um hábito que, segundo ela, fortalece os laços familiares.

“É uma alegria muito grande. Hoje em dia há dificuldades, minha filha já não mora mais aqui (Mogi), mora em São Paulo, minha neta também. Mas sempre na época da Festa do Divino, todos procuram estar presentes, ajudando de uma forma ou de outra”, conta Sylvania.

A família atua na barraca dos doces e salgados da Associação Pró-Divino. Em algumas ocasiões, eles também participam da produção dos doces na ‘Casa da Festa’. Já Sylvania atua também na coordenação e organização do evento.

A participação da matriarca foi inspiração para a filha Stella, que é neuropsicóloga. Ela conta que cresceu vendo os pais como festeiros e os avós como capitães de mastro. “Tudo isso me formou de maneira muito natural. Aprendi desde cedo que servir é uma forma de amar, e que a fé se fortalece quando é vivida na prática, no cuidado com o outro, na presença e na entrega. Ser voluntária nunca foi apenas uma escolha, foi quase uma continuidade daquilo que sempre fez parte de mim. Existe uma alegria muito genuína em dedicar o meu tempo fazendo o bem, em contribuir com algo maior e em manter viva uma tradição tão rica espiritualmente”, afirmou a neuropsicóloga.

Stella afirma ainda que a filha Stephanie cresceu nesse ambiente de fé e desde sempre contribuiu com a quermesse. O filho mais novo, Arthur, de 13 anos, também tem interesse. “Sinto que não se trata apenas de dar continuidade a uma tradição familiar, mas de algo muito maior: é a fé sendo vivida, sendo transmitida de forma genuína, através do exemplo e do amor. É como ver um legado ganhar vida, seguir adiante, com verdade e propósito. Existe uma alegria muito profunda em perceber que aquilo que um dia recebi dos meus pais e avós agora floresce nos meus filhos”, destaca.

Stephanie conta que desde cedo buscava contribuir com a Festa: “Eu atuo desde os cinco anos de idade. Desde criança sempre gostei de ficar no caixa, atendendo as pessoas, entregando os pedidos e conversando com o público, era algo que fazia meus olhos brilharem pela energia boa, até hoje é assim. Eu continuo, mesmo longe, sendo voluntária e vou continuar pra sempre. Eu brinco que é minha época favorita do ano”. 

Ela conta que por muitos anos morou em outro estado, mas sempre fazia questão de vir para Mogi durante a Festa do Divino, para acompanhar a avó nas atividades. Segundo Stephanie, essa convivência fortaleceu ainda mais a relação entre as duas e, até hoje, segue ao lado de Sylvania na organização da procissão. “Eu sempre falo que quero assumir a procissão algum dia, quando ela não conseguir”, afirma.

Para as três, compartilhar essa experiência ajudou a fortalecer ainda mais os laços familiares ao longo dos anos, criando memórias que serão para sempre lembradas. Stella destaca que o voluntariado permitiu que vivessem juntas e compartilhassem valores como a fé, a empatia, o amor ao próximo e a importância de estender a mão a quem precisa. “Existe algo muito bonito em ver esse laço sendo fortalecido através do bem. É como se, a cada gesto de cuidado com o próximo, também estivéssemos cuidando uns dos outros, com fé e amor. Para mim, essa é uma das maiores riquezas que o voluntariado nos proporciona”, destaca.

Stephanie afirma que, se depender dela, a tradição da família na Festa do Divino vai continuar por muitos anos: “Se eu tivesse filhos, eles desde o nascimento estariam prontos para vender tortinhos e doces”, brinca.

Dia das Mães

Sylvania lembra quando virou mãe aos 25 anos e que tudo mudou com a chegada dos filhos. Além de Stella,  ela é mãe também de Saul, 39, que hoje vive nos Estados Unidos. Nesse Dia das Mães, a matriarca destaca que a maternidade é um aprendizado constante e que o amor permanece diariamente. “Isso não muda nunca, desde o dia que nasce a todos os dias da sua vida. Não importa o que os filhos façam, você continua amando-os cada vez mais”, afirma.

Ela complementa que, com o passar dos anos, aprendeu a enxergar a maternidade de uma forma diferente. Segundo Sylvania, o tempo traz experiências e ensinamentos que ajudam a compreender que os filhos têm liberdade para fazer as próprias escolhas e seguir caminhos diferentes daqueles imaginados pelos pais. Ela destaca que o sentimento de cuidado com a família permanece o mesmo e se multiplicou com a chegada dos netos. “O dia que a minha primeira neta nasceu foi um amor assim inexplicável. Todo mundo dizia ‘quando você for avó você vai ver’ e realmente, não dá para a gente explicar o amor de ser avó, é inexplicável”, afirma.

Já para Stella, a experiência da maternidade foi marcada por mudanças e amadurecimento. Ela tinha 22 anos quando se tornou mãe de Stephanie. “Foi uma experiência profundamente transformadora, ao mesmo tempo desafiadora e cheia de amor. No início, houve medo, insegurança e muitas dúvidas, como acredito que acontece com a maioria das mães, especialmente quando somos tão jovens. Mas, junto com isso, veio um amor imenso, daqueles que reorganizam tudo dentro da gente. A maternidade me ensinou sobre responsabilidade, entrega, força e também sobre a importância de crescer emocionalmente. Foi um processo de amadurecimento acelerado, mas muito bonito. Aprendi a olhar para a vida com mais sensibilidade, mais propósito e mais gratidão. Ser mãe aos 22 anos não foi apenas um marco, foi um divisor de águas que moldou quem eu sou hoje”, ressalta.

Entre diferentes gerações, a mensagem é a mesma de amor e cuidado. “Ser mãe é uma bênção. É uma alegria sem fim na vida de qualquer mulher. Eu tenho certeza disso. E eu acho que o que a gente pode deixar de mensagem para todas as mães é que sempre acreditem que tudo na vida tem um porquê, mesmo não estando de acordo com o que a gente imaginou”, afirma Sylvania. 

Stella reforça que a  maternidade pode ser vivida de diferentes formas, e não se limita a laços sanguíneos: “Ser mãe é estar presente, muitas vezes em silêncio, é oferecer suporte mesmo quando não há respostas prontas, é ser abrigo e, ao mesmo tempo, incentivo para que o outro cresça e siga seu próprio caminho. É um exercício contínuo de entrega, empatia e força emocional. A maternidade também se manifesta de muitas formas: em mulheres que geram, em aquelas que adotam, em quem cuida, educa, acolhe e ama com verdade. Ser mãe é uma experiência que pode ser vivida de diferentes maneiras, mas que tem, em sua essência, o mesmo princípio, o amor que sustenta, que guia e que transforma. Neste Dia das Mães, minha mensagem é de reconhecimento e acolhimento a todas as formas de maternar”, finaliza.