No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quinta-feira, dia 2 de abril, a fundadora e presidente do Instituto Resiliência Azul de Mogi das Cruzes, Diiva Batista, traz um alerta: a inclusão e o respeito às pessoas autistas precisam acontecer todos os dias. A ativista e mãe atípica reforça a importância da empatia e fala sobre os desafios enfrentados por famílias atípicas.
“A conscientização está avançando, mas precisa acontecer todos os dias, em todos os momentos, para que as pessoas compreendam o seu significado. Não basta ser contra o preconceito, é preciso combatê-lo, mesmo sem conviver diretamente com uma pessoa autista. Acho que o mundo só será melhor quando, além de nos colocarmos no lugar do outro, conseguirmos reconhecer o quanto essa realidade pode ser desafiadora e evitar tornar a vida de quem vivencia isso ainda mais difícil”, afirma Diiva.
De acordo com a presidente do instituto, apesar de o tema estar cada vez mais presente, muitas pessoas autistas seguem invisibilizadas e é necessário trazer o protagonismo para elas. “A gente vê falando muito de autismo, níveis de suporte, famílias atípicas, mas não vê o ser autista. A gente precisa dar voz para essas pessoas e não deixar outras pessoas falarem por elas, a não ser as famílias que já têm essa vivência e que têm essa afinidade com o tema”, explica.
Em relação aos desafios enfrentados pelas famílias atípicas em Mogi, Diiva defende a criação de uma secretaria para a pessoa com deficiência. “Qualquer coisinha simples que tenhamos que resolver vira um problemão porque não temos com quem falar”, relata. Como exemplo, ela cita a renovação do Mogi Passe, cartão do transporte público. Segundo a presidente, o processo é burocrático pois, além de apresentar toda a documentação, é exigida a presença da pessoa autista no local para comprovação, o que nem sempre é viável devido à rotina e às particularidades de cada criança.
Outra questão levantada por Diiva é a dificuldade de conseguir profissionais capacitados para acompanhar crianças autistas no ambiente escolar. Segundo ela, a falta de suporte adequado gera insegurança nas famílias. “Aqui no Instituto Resiliência Azul oferecemos apoio jurídico, porque conseguir um auxiliar ou acompanhante capacitado ainda é muito desafiador. É o mínimo que deveria ser garantido. Acredito que Mogi das Cruzes tem muito a melhorar para se tornar uma cidade realmente inclusiva”, finaliza.
Virada Autística
Como forma de transformar a conscientização em prática e trazer o protagonismo para as pessoas autistas, o Instituto Resiliência Azul promove a Virada Autística em alusão ao Dia Internacional da Conscientização do Autismo (2 de abril). O evento foi incluído no calendário oficial do município em janeiro de 2025 e deve ser realizado no último fim de semana de abril, no Pipa Hub (rua Francisco Franco, 133, Centro).
A presidente do Resiliência Azul reforça que mais do que um evento cultural, a virada visa promover uma imersão na realidade vivida por pessoas autistas e famílias atípicas. “A grande diferença da Virada Autística é que ela é construída por eles e para eles (autistas). Precisamos trazer elementos que façam parte da realidade, da vida e do cotidiano dessas pessoas. Muitos autistas fazem coisas incríveis, mas acabam não expondo por insegurança ou medo, e as famílias também têm receio de que sejam ridicularizados”, explica Diiva.
A programação deve incluir atividades culturais, oficinas, rodas de conversa e ações voltadas à geração de renda, além de uma imersão histórica que resgata a trajetória da causa ao longo do tempo.